STJAgRg no HC 1.021.736
Reiteração de pedido: supressão de instância
Relator(a): Joel Ilan Paciornik
- Processo Penal
- Direito Penal
- Reiteração de pedido
- Supressão de instância
- Prisão preventiva decretada em sentença condenatória
- Regime inicial semiaberto
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. REITERAÇÃO DE PEDIDO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PRISÃO PREVENTIVA DECRETADA EM SENTENÇA CONDENATÓRIA. REGIME INICIAL SEMIABERTO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que indeferiu liminarmente habeas corpus impetrado em favor de condenado por adulteração de sinal identificador de veículo automotor, ao qual foi imposta pena de 3 anos de reclusão em regime inicial semiaberto, com decretação de prisão preventiva na sentença condenatória, sob o fundamento de reiteração de pedido já analisado em recurso em habeas corpus anterior.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) saber se há reiteração de pedido impeditiva do conhecimento do habeas corpus, quando anteriormente interposto recurso ordinário em habeas corpus, com idêntico objeto, em favor do mesmo paciente, já julgado por órgão colegiado desta Corte Superior, com trânsito em julgado; e (ii) saber se esta Corte pode apreciar, originariamente, tese de nulidade da prisão preventiva decretada de ofício na sentença, não enfrentada pelo Tribunal de origem no acórdão impugnado, em face da vedação à supressão de instância.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. Constatou-se identidade de partes, causa de pedir e pedido entre o habeas corpus e o recurso ordinário em habeas corpus anteriormente manejado (RHC 220.411/SP), no qual foi indeferido liminarmente o recurso e, em posterior agravo regimental, a Quinta Turma negou provimento, com trânsito em julgado, o que impede a rediscussão da matéria mediante novo mandamus. 4. Habeas corpus e recurso ordinário em habeas corpus dirigidos contra o mesmo acórdão do Tribunal de Justiça estadual configuram reiteração de pedido, sendo inadmissível que a mesma controvérsia seja novamente submetida à apreciação desta Corte, em consonância com a jurisprudência pacífica quanto à vedação de mera reiteração de impugnações sobre os requisitos da prisão preventiva. 5. A alegação de nulidade da prisão cautelar por ter sido decretada de ofício pelo juízo sentenciante não foi objeto de análise pelo Tribunal de origem no acórdão impugnado, de modo que o exame direto dessa questão pelo Superior Tribunal de Justiça configuraria indevida supressão de instância. 6. Mantêm-se os fundamentos da decisão monocrática que indeferiu liminarmente o habeas corpus, impondo-se a negativa de provimento ao agravo regimental.
IV. DISPOSITIVO E TESE
6. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.
Tese de julgamento:
1. Configura reiteração de pedido, inadmissível, o ajuizamento de habeas corpus ou agravo regimental com o mesmo paciente, o mesmo acórdão impugnado e idêntica causa de pedir já examinada em recurso ordinário em habeas corpus anteriormente apreciado por órgão colegiado desta Corte, com trânsito em julgado.
2. O Superior Tribunal de Justiça não pode conhecer, em habeas corpus, de alegação de nulidade da prisão preventiva decretada de ofício que não tenha sido previamente enfrentada pelo Tribunal de origem, sob pena de indevida supressão de instância.
Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 311; CPP, art. 387, § 1º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, RHC 220.411/SP, Quinta Turma, decisão monocrática e agravo regimental com trânsito em julgado em 16.10.2025; STJ, AgRg no RHC 116.312/SP, Sexta Turma, DJe 15.06.2020; STJ, RHC 112.440/RO, Quinta Turma, DJe 14.06.2019.
Tese
1. Configura reiteração de pedido, inadmissível, o ajuizamento de habeas corpus ou agravo regimental com o mesmo paciente, o mesmo acórdão impugnado e idêntica causa de pedir já examinada em recurso ordinário em habeas corpus anteriormente apreciado por órgão colegiado desta Corte, com trânsito em julgado.
2. O Superior Tribunal de Justiça não pode conhecer, em habeas corpus, de alegação de nulidade da prisão preventiva decretada de ofício que não tenha sido previamente enfrentada pelo Tribunal de origem, sob pena de indevida supressão de instância.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 12/03/2026 a 18/03/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas, Reynaldo Soares da Fonseca e Ribeiro Dantas votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.