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Jurisprudências

TSTAg-AIRR 20221-71.2015.5.04.0024

Interposição na vigência da lei n.º 13.467/2017: bem de família

  • Direito do Trabalho
  • Processo Civil
  • Direito de Família
  • Interposição na vigência da lei n.º 13.467/2017
  • Bem de família
  • Não impugnação dos fundamentos adotados na decisão monocrática
  • Incidência da ratio contida no item i da súmula n.º 422 do TST
  • Sócio / Acionista
  • Liquidação / Cumprimento / Execução

Ementa

AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA DA PARTE EXEQUENTE. INTERPOSIÇÃO NA VIGÊNCIA DA LEI N.º 13.467/2017. PROCESSO EM FASE DE EXECUÇÃO. BEM DE FAMÍLIA. CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA N.º 126 DO TST. Nos termos do art. 1.º, caput , da Lei n.º 8.009/1990, " O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei ". É certo que a jurisprudência tem elastecido a interpretação conferida ao referido dispositivo legal para abarcar outras situações que igualmente merecem a garantia da impenhorabilidade, a fim de resguardar o direito tanto à moradia quanto ao princípio da dignidade da pessoa humana, previstos constitucionalmente. Todavia, permanece como requisito indispensável para a configuração do bem imóvel como "bem de família" a sua destinação à moradia do devedor. No caso, a Corte de origem, com lastro nos elementos probatórios, manteve a sentença de origem que entendeu que o bem imóvel não poderia ser penhorado por ser enquadrado como bem de família, já que foi comprovada a sua destinação à moradia da sócia executada. Diante dessa premissa fática, somente com o revolvimento de fatos e provas seria possível concluir pelo não enquadramento do bem imóvel na Lei n.º 8.009/1990, de forma a lhe assegurar a sua penhorabilidade, o que é vedado pela Súmula n.º 126 do TST. Agravo da parte exequente conhecido e não provido. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA DA PARTE EXECUTADA. NÃO IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS ADOTADOS NA DECISÃO MONOCRÁTICA. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. INCIDÊNCIA DA RATIO CONTIDA NO ITEM I DA SÚMULA N.º 422 DO TST. NÃO CONHECIMENTO. Cumpre ressaltar que o Pleno desta Corte pacificou o entendimento de que não há necessidade de renovação, no Agravo de Instrumento e, por conseguinte, no Agravo Interno, dos argumentos recursais ou dos dispositivos tidos como violados e dos arestos indicados no Recurso de Revista (E-ED-ED-RR-291-13.2016.5.08.0124). Contudo, na hipótese dos autos, as alegações recursais contidas no Agravo Interno são extremamente genéricas e não atacam o fundamento erigido na decisão monocrática, que denegou seguimento ao Agravo de Instrumento da parte executada. Desse modo, não há como conhecer do Agravo, ante a inobservância do princípio da dialeticidade recursal previsto nos arts. 1.010, II e III, e 1.021, § 1.º, do CPC/2015. Ademais, nos termos da Súmula n.º 422, I, do TST, "não se conhece de recurso para o Tribunal Superior do Trabalho se as razões do Recorrente não impugnam os fundamentos da decisão Recorrida, nos termos em que proferida". Agravo da parte executada não conhecido.

Decisão

Acordam os Ministros à unanimidade: I - não conhecer do Agravo Interno da parte executada (SANAE TAKEUCHI TAKEDA); II - conhecer do Agravo Interno da parte exequente (SHEILA MARTINS SOUZA) e, no mérito, negar-lhe provimento.

Indexação

Sócio / Acionista; Liquidação / Cumprimento / Execução; Constrição / Penhora / Avaliação / Indisponibilidade de Bens

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