STJAgRg no HC 1.019.468
Instauração de inquérito policial: denúncia anônima
Relator(a): Maria Marluce Caldas
- Processo Penal
- Direito Penal
- Instauração de inquérito policial
- Denúncia anônima
- Existência de notícias prévias e diligências complementares
- Ausência de nulidade
- Impossibilidade de revolvimento fático-probatório
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO POLICIAL. DENÚNCIA ANÔNIMA. EXISTÊNCIA DE NOTÍCIAS PRÉVIAS E DILIGÊNCIAS COMPLEMENTARES. AUSÊNCIA DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. RECURSO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática de relator do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu de habeas corpus. A defesa sustenta nulidade do inquérito policial instaurado a partir de denúncia anônima e sem investigações preliminares, com a consequente aplicação da teoria dos frutos da árvore envenenada.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) definir se a instauração do inquérito policial exclusivamente com base em denúncia anônima gera nulidade processual; (ii) estabelecer se, diante da existência de diligências prévias e de registros policiais anteriores, a denúncia anônima invalida a investigação.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A decisão monocrática de relator no STJ não viola o princípio da colegialidade, pois está sujeita ao controle do colegiado mediante interposição de agravo regimental.
4. A jurisprudência do STJ admite investigações iniciadas por denúncia anônima, desde que precedidas de diligências preliminares que confirmem a verossimilhança da narrativa apócrifa, sendo certo que no caso concreto, a investigação não se baseou apenas em denúncia anônima, mas também em registros policiais anteriores e diligências realizadas para apuração dos fatos, afastando a alegação de nulidade.
5. A análise sobre eventual exclusividade da denúncia anônima como origem do inquérito demandaria reexame fático-probatório, inviável na via estreita do habeas corpus.
6. Não configurada nulidade na instauração do inquérito, mostra-se incabível a aplicação da teoria dos frutos da árvore envenenada.
IV. DISPOSITIVO E TESE
7. Recurso desprovido.
Tese de julgamento:
1. A decisão monocrática de relator no STJ não viola o princípio da colegialidade, pois é passível de reapreciação pelo órgão colegiado.
2. A instauração de inquérito com base em denúncia anônima é válida quando acompanhada de diligências preliminares que confirmem sua verossimilhança.
3. A alegação de nulidade fundada em denúncia anônima não prospera quando o inquérito também se apoia em registros policiais anteriores e investigações regulares.
4. A revisão do entendimento das instâncias ordinárias acerca da origem do inquérito demanda revolvimento fático-probatório, incabível em habeas corpus.
Tese
1. A decisão monocrática de relator no STJ não viola o princípio da colegialidade, pois é passível de reapreciação pelo órgão colegiado.
2. A instauração de inquérito com base em denúncia anônima é válida quando acompanhada de diligências preliminares que confirmem sua verossimilhança.
3. A alegação de nulidade fundada em denúncia anônima não prospera quando o inquérito também se apoia em registros policiais anteriores e investigações regulares.
4. A revisão do entendimento das instâncias ordinárias acerca da origem do inquérito demanda revolvimento fático-probatório, incabível em habeas corpus.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 23/10/2025 a 29/10/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora.Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora.Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.