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Jurisprudências

STJAgRg no AREsp 3.156.782

Associação para o tráfico: revaloração jurídica de provas

Relator(a): Messod Azulay Neto

Ementa

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. REVALORAÇÃO JURÍDICA DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. SÚMULA 284/STF. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão que, ao conhecer do agravo, não conheceu do recurso especial em razão da incidência das Súmulas n. 7 do Superior Tribunal de Justiça e n. 284 do Supremo Tribunal Federal.

2. Fato relevante. Acórdão de origem manteve a condenação dos agravantes pelo crime de associação para o tráfico, assentando, com fundamento em diálogos extraídos dos aparelhos celulares e em outras provas, a existência de vínculo estável e permanente entre os agentes, com divisão de tarefas e atuação coordenada na comercialização de entorpecentes.

3. Pedido. Pretensão de reconsideração da decisão agravada ou de submissão do recurso à Turma para conhecimento e provimento do recurso especial, visando à absolvição quanto ao art. 35 da Lei n. 11.343/2006, sob o argumento de que a análise demandaria apenas revaloração jurídica dos fatos e de que o dissídio jurisprudencial estaria demonstrado.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

4. A questão em discussão consiste em saber se a pretensão de afastar a estabilidade e a permanência do vínculo associativo, tal como delineada pelas instâncias ordinárias com base em diálogos e demais provas, pode ser apreciada em recurso especial mediante revaloração jurídica, sem revolvimento do conjunto fático-probatório, à luz da Súmula n. 7/STJ.

5. Outra questão em discussão consiste em saber se o dissídio jurisprudencial foi adequadamente demonstrado, com cotejo analítico e similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, conforme exigido pelo art. 1.029, § 1º, do CPC e pelo art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, afastando a incidência da Súmula n. 284/STF.

III. RAZÕES DE DECIDIR

6. A modificação da conclusão sobre a existência de estabilidade e permanência demanda revisar o conteúdo e o contexto das conversas extraídas dos celulares, a frequência dos contatos, as funções atribuídas a cada acusado e a vinculação com os demais elementos probatórios, o que implica revolvimento do conjunto fático-probatório, vedado em recurso especial pela Súmula n. 7/STJ.

7. A simples alegação de revaloração jurídica não afasta o óbice sumular quando a alteração pretendida pressupõe nova apreciação da suficiência e do alcance das provas estabelecidas pelas instâncias ordinárias.

8. Inaplicável o precedente invocado pela defesa, porque naquela hipótese a condenação se fundava em conjectura, sem elementos concretos de estabilidade e permanência, ao passo que, no caso, o acórdão recorrido apontou dados objetivos quanto às funções específicas dos agentes (fornecedor/intermediário, "boqueiro" e "torre"), continuidade e divisão de tarefas evidenciadas por interceptações, afastando a similitude fática.

9. O dissídio jurisprudencial não foi demonstrado, por ausência de cotejo analítico e de similitude fática entre os julgados, conforme exigem o art. 1.029, § 1º, do CPC e o art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, atraindo a incidência da Súmula n. 284/STF.

IV. DISPOSITIVO

10. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.

Dispositivos relevantes citados:Lei n. 11.343/2006, art. 35; CPC, art. 1.029, § 1º; RISTJ, art. 255, §§ 1º e 2º; Súmula n. 7/STJ; Súmula n. 284/STF

Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no AREsp 2.926.158/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJEN 16.09.2025; STJ, AgRg no AREsp 2.338.394/MA, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, DJe 25.06.2024.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Maria Marluce Caldas, Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e Joel Ilan Paciornik votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

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