STJAgRg no HC 1.054.961
Prisão preventiva: garantia da ordem pública e risco de reiteração delitiva
Relator(a): Maria Marluce Caldas
- Processo Penal
- Direito Penal
- Prisão preventiva
- Garantia da ordem pública e risco de reiteração delitiva
- Elevada variedade e quantidade de drogas
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PRISÃO PREVENTIVA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA E RISCO DE REITERAÇÃO DELITIVA. ELEVADA VARIEDADE E QUANTIDADE DE DROGAS. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do habeas corpus por inadequação da via eleita, afastando a concessão de ordem de ofício diante da inexistência de flagrante ilegalidade, e mantendo a prisão preventiva com fundamento na garantia da ordem pública e no risco de reiteração delitiva, em razão da apreensão de 2 kg de maconha e 500 g de cocaína, além de registros pretéritos do agravante.
2. A parte agravante sustenta que o habeas corpus foi manejado para impugnar vício manifesto, consubstanciado na violação ao dever constitucional de fundamentação e na ausência de demonstração concreta e individualizada do periculum libertatis, não se tratando de substituição de recurso previsto em lei processual.
II. Questão em discussão
3. A questão em discussão consiste em saber se a prisão preventiva do agravante, decretada com fundamento na garantia da ordem pública e no risco de reiteração delitiva, está devidamente fundamentada em elementos concretos, como a quantidade e variedade de entorpecentes apreendidos e os registros pretéritos do agravante.
III. Razões de decidir
4. A prisão preventiva é medida excepcional que deve ser fundamentada com base na demonstração da materialidade do crime, indícios suficientes de autoria e risco gerado pela liberdade do agente, conforme o art. 312 do Código de Processo Penal.
5. A gravidade concreta da conduta do agravante foi evidenciada pela quantidade e variedade de entorpecentes apreendidos, consistindo em 2 kg de maconha e 500 g de cocaína, substâncias de alto poder deletério.
6. A jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça admite a decretação da prisão preventiva em casos de tráfico de drogas, quando a gravidade concreta da conduta se evidencia em fatores como a quantidade e a natureza da substância apreendida.
7. A presença de registros pretéritos do agravante por tráfico de drogas e a insuficiência de medidas cautelares diversas da prisão justificam a manutenção da custódia preventiva para garantia da ordem pública e prevenção de reiteração delitiva.
8. Condições pessoais favoráveis ao agravante não são suficientes para afastar a prisão preventiva, quando presentes os requisitos legais.
IV. Dispositivo e tese
9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental não provido.
Tese de julgamento:
1. A prisão preventiva pode ser decretada com fundamento na garantia da ordem pública e no risco de reiteração delitiva, quando evidenciada a gravidade concreta da conduta, como a quantidade e a natureza dos entorpecentes apreendidos. 2. A presença de registros pretéritos, reincidência ou atos infracionais anteriores pode justificar a decretação da prisão preventiva, evidenciando a periculosidade do agente e o risco de reiteração delitiva. 3. Condições pessoais favoráveis ao agravante não impedem a decretação da prisão preventiva, quando presentes os requisitos legais.
Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 105, II, a; CF/1988, art. 105, III; CPP, art. 312; CPP, art. 312, §4º; CPP, art. 319; CPP, art. 654, §2º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 787.386/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 13.12.2022; STJ, AgRg no HC 977.992/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 18.02.2025; STJ, RHC 107.238/GO, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 26.02.2019; STJ, AgRg no HC 990.311/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 22.04.2025.
Tese
1. A prisão preventiva pode ser decretada com fundamento na garantia da ordem pública e no risco de reiteração delitiva, quando evidenciada a gravidade concreta da conduta, como a quantidade e a natureza dos entorpecentes apreendidos. 2. A presença de registros pretéritos, reincidência ou atos infracionais anteriores pode justificar a decretação da prisão preventiva, evidenciando a periculosidade do agente e o risco de reiteração delitiva. 3. Condições pessoais favoráveis ao agravante não impedem a decretação da prisão preventiva, quando presentes os requisitos legais.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 09/04/2026 a 15/04/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.