STJAgRg no AgRg no HC 770.163
Homicídio qualificado: tribunal do júri
Relator(a): Maria Marluce Caldas
- Direito Penal
- Processo Penal
- Homicídio qualificado
- Tribunal do júri
- Anulação do processo desde a pronúncia
- Alegação de violação à soberania dos veredictos
- Não ocorrência
- Controle de legalidade da base probatória
Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO. TRIBUNAL DO JÚRI. ANULAÇÃO DO PROCESSO DESDE A PRONÚNCIA. DECISÃO MONOCRÁTICA QUE RECONHECEU AUSÊNCIA DE INDÍCIOS SUFICIENTES DE AUTORIA. FUNDAMENTAÇÃO EXCLUSIVA EM ELEMENTOS INQUISITORIAIS E TESTEMUNHOS INDIRETOS. ART. 155 DO CPP. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO À SOBERANIA DOS VEREDICTOS. NÃO OCORRÊNCIA. CONTROLE DE LEGALIDADE DA BASE PROBATÓRIA. INEXISTÊNCIA DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ INAPLICÁVEL. AGRAVO DESPROVIDO.
1. A decisão de pronúncia, ainda que constitua juízo de admissibilidade da acusação, exige indícios suficientes de autoria juridicamente idôneos, não podendo fundar-se exclusivamente em elementos colhidos na fase inquisitorial, à luz do art. 155 do CPP.
2. O testemunho indireto ("ouvir dizer"), desacompanhado de corroboração judicial, não se revela suficiente, por si só, para sustentar a submissão do acusado ao Tribunal do Júri.
3. O princípio do in dubio pro societate não autoriza suprir lacunas probatórias nem legitima a mitigação das garantias do contraditório e do devido processo legal.
4. A soberania dos veredictos (art. 5º, XXXVIII, CF) não possui caráter absoluto e não convalida vício estrutural antecedente consistente na ausência de justa causa válida para a pronúncia.
5. O reconhecimento da ilegalidade da base probatória configura controle de legalidade, não implicando revolvimento do conjunto fático-probatório, razão pela qual não incide a Súmula 7/STJ.
6. Agravo regimental desprovido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 28/05/2026 a 03/06/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.