STJAgRg no HC 1.046.207
Busca pessoal: fundada suspeita
Relator(a): Maria Marluce Caldas
- Processo Penal
- Direito Penal
- Busca pessoal
- Fundada suspeita
- Legalidade da abordagem policial
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. BUSCA PESSOAL. FUNDADA SUSPEITA. LEGALIDADE DA ABORDAGEM POLICIAL. LOCAL DE INTENSO TRÁFICO DE DROGAS, NERVOSISMO E ABRUPTA MUDANÇA DE DIREÇÃO. AGRAVO NÃO PROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão que indeferiu liminarmente habeas corpus, por não se verificar manifesta ilegalidade apta a justificar a concessão de ordem de ofício, entendendo legítima a busca pessoal com base em fundada suspeita delineada pelas circunstâncias do caso.
2. A parte agravante sustenta a existência de flagrante ilegalidade na abordagem policial, realizada sem fundada suspeita e amparada exclusivamente em percepções subjetivas dos agentes quanto ao local de alta incidência criminal e ao suposto nervosismo do paciente, com alteração de trajeto ao avistar a viatura. Requer o provimento do agravo regimental para reconsideração da decisão agravada ou, subsidiariamente, que a Turma conheça do habeas corpus e lhe dê provimento, reconhecendo a nulidade da busca pessoal e das provas correlatas, com a absolvição do paciente nos termos do art. 386, II, do CPP.
II. Questão em discussão
3. A questão em discussão consiste em saber se a busca pessoal realizada pela autoridade policial, com base em fundada suspeita, foi legítima e se as provas obtidas a partir dessa abordagem podem ser consideradas válidas.
III. Razões de decidir
4. A Corte Superior já se manifestou no sentido de que a demonstração de nervosismo e mudança de direção ao avistar viatura policial configura fundada suspeita, justificando a abordagem policial nos termos do art. 244 do CPP.
5. Os depoimentos prestados pelos policiais, colhidos sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, foram considerados harmônicos e coerentes com o conjunto probatório, não havendo evidências de suspeição ou de flagrante ilegalidade na abordagem.
6. A busca pessoal foi motivada por fundada suspeita de traficância, sendo legítima a descoberta de provas relacionadas a outro crime durante a diligência, fenômeno conhecido como encontro fortuito ou serendipidade.
7. A modificação do acórdão impugnado demandaria o revolvimento do conjunto fático-probatório, providência inadmissível na via estreita do habeas corpus.
IV. Dispositivo e tese
8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental não provido.
Tese de julgamento:
1. A demonstração de nervosismo e mudança de direção ao avistar viatura policial configura fundada suspeita, justificando a abordagem policial nos termos do art. 244 do Código de Processo Penal. 2. Os depoimentos prestados por policiais, colhidos sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, são dotados de fé pública e podem ser utilizados como elementos de convicção, salvo prova inequívoca de suspeição. 3. A busca pessoal motivada por fundada suspeita de traficância é legítima, sendo válida a descoberta de provas relacionadas a outro crime durante a diligência, fenômeno conhecido como encontro fortuito ou serendipidade. 4. O revolvimento do conjunto fático-probatório é inadmissível na via estreita do habeas corpus.
Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 105, II, a; CF/1988, art. 105, III; CPP, art. 244; CPP, art. 654, §2º; CPP, art. 386, II.
Jurisprudência relevante citada: STJ, RCD no HC 957.448/MG, Rel. Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 26/02/2025, DJEN 05/03/2025.
Tese
1. A demonstração de nervosismo e mudança de direção ao avistar viatura policial configura fundada suspeita, justificando a abordagem policial nos termos do art. 244 do Código de Processo Penal. 2. Os depoimentos prestados por policiais, colhidos sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, são dotados de fé pública e podem ser utilizados como elementos de convicção, salvo prova inequívoca de suspeição. 3. A busca pessoal motivada por fundada suspeita de traficância é legítima, sendo válida a descoberta de provas relacionadas a outro crime durante a diligência, fenômeno conhecido como encontro fortuito ou serendipidade. 4. O revolvimento do conjunto fático-probatório é inadmissível na via estreita do habeas corpus.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 05/03/2026 a 11/03/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.