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Jurisprudências

STJAgRg no RHC 212.512

Crimes dos arts. 2º, caput, § 2º, da lei n. 12.850/2013, e arts. 4º e 1º, § 4º, da lei n. 9.613/1998

Relator(a): Carlos Cini Marchionatti (desembargador Convocado Tjrs)

Ementa

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. CRIMES DOS ARTS. 2º, CAPUT, § 2º, DA LEI N. 12.850/2013, E ARTS. 4º e 1º, § 4º, DA LEI N. 9.613/1998. REQUISITOS DO ART. 41 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL ATENDIDOS. EXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1. Agravo regimental interposto contra decisão que negou provimento a recurso em habeas corpus, mantendo a denúncia por crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, com base na "Operação Engenho".

2. A denúncia foi recebida pelo art. 2º, caput, §2º, da Lei 12.850/2013, e arts. 4º e 1º, §4º, da Lei 9.613/98, cumulados na forma do art. 69 do Código Penal, em relação ao agravante, que alega inépcia da denúncia e ausência de justa causa.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

3. A questão em discussão consiste em saber se a denúncia atende aos requisitos do art. 41 do Código de Processo Penal e se há justa causa para o prosseguimento da ação penal.

III. RAZÕES DE DECIDIR

4. A denúncia atende aos requisitos do art. 41 do CPP, contendo a exposição do fato criminoso, a qualificação dos acusados, a classificação dos crimes e o rol das testemunhas.

5. A alegação de inépcia da denúncia e ausência de justa causa não se sustenta, pois a denúncia está amparada em elementos probatórios mínimos, incluindo aqueles extraídos do Procedimento Investigatório Criminal nº 0003704-60.2022.8.16.0056 (MPPR-0078.22.001998-4), que justificam o prosseguimento da ação penal.

6. "O trancamento da ação penal por falta de justa causa é medida excepcional, cabível apenas quando inequivocamente demonstrada a atipicidade da conduta, a presença de causa extintiva de punibilidade ou a ausência de indícios mínimos de autoria ou materialidade delitiva" (AgRg no RHC 184926 / PE, Relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 11/03/2025, DJEN 18/03/2025), o que não é a hipótese dos autos.

7. Questões relacionadas a demonstração e comprovação da permanência e da estabilidade na organização criminosa e à ciência sobre a origem ilícita dos valores são matérias de mérito, não enfrentadas pelas instâncias ordinárias e somente abordadas na decisão agravada para registrar que não houve negativa de prestação jurisdicional pelo Tribunal de origem.

IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 28/08/2025 a 03/09/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com o Sr. Ministro Relator.Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

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