STJAgRg no HC 1.011.424
Execução penal: falta grave
Relator(a): Otávio de Almeida Toledo (desembargador Convocado do Tjsp)
- Processo Penal
- Direito Penal
- Processo Civil
- Execução penal
- Falta grave
- Desclassificação
- Revolvimento fático-probatório
- Reiteração de argumentos
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. FALTA GRAVE. DESCLASSIFICAÇÃO. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. PRECEDENTES. REITERAÇÃO DE ARGUMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. SÚMULA 182/STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que indeferiu liminarmente habeas corpus, no qual se alegava ausência de fundamentação concreta e violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e da individualização da pena.
II. Questão em discussão
2. A questão em discussão consiste em saber se a decisão monocrática que indeferiu liminarmente o habeas corpus por ausência de novos argumentos e reiteração de teses já analisadas deve ser mantida.
3. A questão também envolve a análise sobre a possibilidade de revisão da falta grave imputada ao agravante sem o revolvimento do conjunto fático-probatório.
III. Razões de decidir
4. A ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada e a mera reiteração das teses ventiladas no habeas corpus atraem a incidência da Súmula n. 182/STJ, configurando ofensa ao princípio da dialeticidade.
5. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a desobediência constitui infração de natureza grave, e a revisão da falta disciplinar exigiria o reexame do conjunto fático-probatório, o que é inviável na via estreita do habeas corpus.
6. Não se configura sanção coletiva quando a conduta do apenado é devidamente individualizada pelos agentes penitenciários, conforme entendimento consolidado desta Corte.
IV. Dispositivo e tese
7. Agravo regimental não provido.
Tese de julgamento: "1. A reiteração de argumentos já analisados e a ausência de impugnação específica configuram ofensa ao princípio da dialeticidade, atraindo a incidência da Súmula n. 182/STJ. 2. A revisão de falta grave exige reexame do conjunto fático-probatório, inviável na via do habeas corpus. 3. Não há sanção coletiva quando a conduta do apenado é individualizada."
Dispositivos relevantes citados: LEP, art. 39, II; art. 50, VI; CF/1988, art. 5º, LIV e LV.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 900.892/MT, Rel. Min. Otávio de Almeida Toledo, Sexta Turma, j. 19.08.2024; STJ, AgRg no HC 782.937/SP, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, j. 17.04.2023.
Tese
"1. A reiteração de argumentos já analisados e a ausência de impugnação específica configuram ofensa ao princípio da dialeticidade, atraindo a incidência da Súmula n. 182/STJ. 2. A revisão de falta grave exige reexame do conjunto fático-probatório, inviável na via do habeas corpus. 3. Não há sanção coletiva quando a conduta do apenado é individualizada."
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 28/08/2025 a 03/09/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz e Antonio Saldanha Palheiro votaram com o Sr. Ministro Relator.Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior.