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Jurisprudências

STJAgRg no AREsp 2.991.723

Crimes dos arts. 90 da lei n. 8.666/1993 e 1º, i, do decreto-lei n. 201/1967

Relator(a): Og Fernandes

  • Direito Penal
  • Processo Penal
  • Revaloração jurídica dos fatos
  • Afastamento da súmula 7/STJ
  • Elemento subjetivo
  • Dolo específico e conluio
  • Exigência
  • Condenação fundada em dolo eventual e na teoria da cegueira deliberada

Ementa

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. REVISÃO CRIMINAL. ART. 621, I, DO CPP. CRIMES DOS ARTS. 90 DA LEI N. 8.666/1993 E 1º, I, DO DECRETO-LEI N. 201/1967. REVALORAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. AFASTAMENTO DA SÚMULA 7/STJ. ELEMENTO SUBJETIVO. DOLO ESPECÍFICO E CONLUIO. EXIGÊNCIA. CONDENAÇÃO FUNDADA EM DOLO EVENTUAL E NA TEORIA DA CEGUEIRA DELIBERADA. INCOMPATIBILIDADE. RESPONSABILIDADE PENAL OBJETIVA. CARGO DE CHEFE DO EXECUTIVO. INADMISSIBILIDADE. CONDUTA ATÍPICA. CONDENAÇÃO CONTRÁRIA AO TEXTO EXPRESSO DA LEI PENAL. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO REVISIONAL. ABSOLVIÇÃO. ART. 386, III, DO CPP.

1. A revaloração jurídica de fatos incontroversos delineados no acórdão recorrido não implica revolvimento do conjunto fático-probatório, razão pela qual não incide o óbice da Súmula 7/STJ.

2. Os crimes previstos no art. 90 da Lei n. 8.666/1993 e no art. 1º, I, do Decreto-Lei n. 201/1967 exigem dolo direto e específico, consistente, respectivamente, no especial fim de frustrar o caráter competitivo do certame para obtenção de vantagem e na vontade consciente de desviar rendas públicas em proveito próprio ou alheio.

3. A adoção da teoria da cegueira deliberada (willful blindness) e o reconhecimento de dolo eventual são juridicamente incompatíveis com os referidos tipos penais, os quais reclamam o dolo direto e específico.

4. No Direito Penal pátrio, não se admite responsabilização penal objetiva fundada unicamente na posição hierárquica ocupada pelo agente como Chefe do Poder Executivo Municipal ou em genérico dever de vigilância e fiscalização dos procedimentos licitatórios.

5. Hipótese em que a condenação foi amparada, essencialmente, em presunções derivadas do cargo exercido pelo réu e em suposto descumprimento do dever de fiscalização, sem demonstração concreta de ajuste prévio, conluio ou especial fim de agir, circunstância que revela inadequado enquadramento jurídico da conduta e manifesta contrariedade ao texto expresso da lei penal, autorizando a procedência da revisão criminal com fundamento no art. 621, I, do Código de Processo Penal.

6. Agravo regimental provido para conhecer do agravo e dar provimento ao recurso especial, julgando-se procedente o pedido revisional e absolver o agravante, nos termos do art. 386, III, do Código de Processo Penal.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, prosseguindo no julgamento, após o voto-vista do Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior dando provimento ao agravo regimental, sendo acompanhado pelo Sr. Ministro Carlos Pires Brandão, e do voto do Sr. Ministro Rogerio Schietti Cruz negando-lhe provimento, verificado o empate no julgamento e prevalecendo a decisão mais favorável ao agravante, dar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior, que lavrará o acórdão. Votou com o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes Rogerio Schietti Cruz.

Indexação

(VOTO VENCIDO) (MIN. OG FERNANDES) '[...]acerca do pedido de desconstituição da condenação com a absolvição do recorrente por ausência de dolo, mostra-se evidente a rediscussão das provas constantes dos autos, o que impede o conhecimento do recurso."

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