STJAgRg no HC 985.467
Ato infracional análogo a homicídio qualificado: condenação baseada em elementos inquisitoriais e testemunhos indiretos
Relator(a): Ribeiro Dantas
- Processo Penal
- Direito Penal
- Ato infracional análogo a homicídio qualificado
- Condenação baseada em elementos inquisitoriais e testemunhos indiretos
Ementa
Direito processual penal. Agravo regimental. Habeas corpus. ato infracional análogo a homicídio qualificado. Condenação baseada em elementos inquisitoriais e testemunhos indiretos. Agravo improvido.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto pelo Ministério Público Federal contra decisão que não conheceu do habeas corpus, mas concedeu a ordem de ofício para absolver o agravado da imputação formalizada no Processo de Apuração de Ato Infracional, determinando sua imediata desinternação.
II. Questão em discussão
2. A questão em discussão consiste em verificar se a condenação pode ser baseada em testemunhos indiretos e elementos do inquérito policial.
III. Razões de decidir
3. A condenação foi embasada em depoimentos de ouvir dizer e elementos do inquérito policial, sem testemunhas oculares e com a negativa do menor quanto à prática do ato infracional.
4. O testemunho indireto não serve para fundamentar a condenação, devendo apenas indicar ao juízo testemunhas referidas para posterior ouvida na instrução processual.
5. A ausência de produção de provas essenciais pela acusação inviabiliza a condenação, configurando perda da chance probatória.
IV. Dispositivo e tese
6. Agravo improvido.
Tese de julgamento: "1. O testemunho indireto e elementos inquisitoriais não são aptos para comprovar a ocorrência de nenhum elemento do crime e não serve para fundamentar a condenação. 2. A ausência de produção de provas essenciais pela acusação inviabiliza a condenação, configurando perda da chance probatória.".
Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 155.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AREsp 1.940.381/AL, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 14.12.2021; STJ, HC 978.134/PE, Rel. Min. Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em 11.03.2025.
Tese
"1. O testemunho indireto e elementos inquisitoriais não são aptos para comprovar a ocorrência de nenhum elemento do crime e não serve para fundamentar a condenação. 2. A ausência de produção de provas essenciais pela acusação inviabiliza a condenação, configurando perda da chance probatória.".
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 11/09/2025 a 17/09/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr. Ministro Relator.Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.