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Jurisprudências

STJAREsp 2.653.976

Tráfico de drogas e receptação: busca pessoal

Relator(a): Daniela Teixeira

  • Direito Penal
  • Processo Penal
  • Tráfico de drogas e receptação
  • Busca pessoal
  • Fundada suspeita
  • I l i c i t u d e p r o b a t ó r i a n ã o verificada
  • Desclassificação para consumo pessoal
  • Possibilidade

Ementa

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS E RECEPTAÇÃO. BUSCA PESSOAL. FUNDADA SUSPEITA. I L I C I T U D E P R O B A T Ó R I A N Ã O VERIFICADA. DESCLASSIFICAÇÃO PARA CONSUMO PESSOAL. POSSIBILIDADE. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão da Corte de origem que inadmitiu o recurso especial com fundamento nas Súmulas 7/STJ e 283/STF. O recorrente foi condenado pelos crimes de tráfico de drogas e receptação (art. 33, caput, da Lei 11.343/06, e art. 180, caput, c/c art. 69 do CP), à pena de 6 anos e 10 meses de reclusão em regime fechado. No recurso especial, a defesa alegou a ilicitude das provas obtidas mediante busca pessoal sem fundada suspeita e pleiteou a desclassificação para porte de drogas para uso pessoal.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2. Há duas questões em discussão: (i) definir se a busca pessoal realizada contra o acusado foi legal, com base em fundada suspeita; (ii) verificar se a condenação por tráfico de drogas deve ser desclassificada para o crime de porte de drogas para consumo pessoal.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3. A busca pessoal foi realizada em local conhecido por tráfico de drogas, onde o acusado foi avistado em atitude suspeita ao tentar dar partida em sua motocicleta ao perceber a aproximação policial. Esses elementos justificam a fundada suspeita que autorizou a abordagem e a revista, conforme art. 244 do CPP.

4. A condenação por tráfico de drogas baseou-se na quantidade e forma de apreensão dos entorpecentes, bem como no fato de ter ocorrido em local de tráfico. No entanto, a quantidade de droga apreendida (7,59g de cocaína e 2,06g de crack) e a ausência de outros elementos típicos de tráfico (como balanças de precisão) indicam insuficiência de provas para tipificar a conduta como tráfico.

5. Aplicando o princípio do , prevalece a tese de in dubio pro reo que as substâncias encontradas destinavam-se ao consumo pessoal, não configurando o delito de tráfico, nos termos do art. 28 da Lei 11.343/2006.

IV. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER DO RECURSO ESPECIAL E DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, prosseguindo no julgamento, por maioria, conhecer do agravo para negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Messod Azulay Neto, que lavrará o acórdão. Votaram com o Sr. Ministro Messod Azulay Neto os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e Joel Ilan Paciornik. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS). Votou vencida em parte a Sra. Ministra Daniela Teixeira.

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