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Jurisprudências

STJAgRg no HC 1.105.302

Tráfico de drogas e associação para o tráfico: writ substitutivo

Relator(a): Carlos Pires Brandão

Ementa

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. WRIT SUBSTITUTIVO. REVISÃO CRIMINAL. INEXISTÊNCIA DE ILEGALIDADE FLAGRANTE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do habeas corpus.

2. O agravante foi condenado pelos crimes previstos nos arts. 33 e 35 da Lei n. 11.343/2006, tendo em vista a apreensão de 94kg de cocaína.

3. O habeas corpus buscou a absolvição pelo crime do art. 35 da Lei n. 11.343/2006, o reconhecimento de nulidade da condenação por tráfico de drogas e, subsidiariamente, o conhecimento integral da revisão criminal.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

4. Há duas questões em discussão: (i) saber se há óbice ao conhecimento do habeas corpus; e (ii) saber se há ilegalidade flagrante na condenação que justifique a superação de óbice processual e a concessão da ordem.

III. RAZÕES DE DECIDIR

5. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal consolidou o entendimento de que não cabe habeas corpus como substitutivo de recurso próprio, salvo em casos de flagrante ilegalidade.

6. A flexibilização do óbice é possível apenas quando haja indicação de ilegalidade flagrante, o que não se verifica na hipótese.

7. A revisão criminal é via excepcional, restrita às hipóteses do art. 621 do CPP, e não se presta ao mero reexame de provas ou à atuação como segunda apelação.

8. As instâncias de origem destacaram a existência de provas suficientes para a condenação pela prática dos crimes de tráfico e associação para o tráfico de drogas, com comprovação, em especial, dos requisitos da estabilidade e permanência exigidos para a configuração do crime do art. 35 da Lei de Drogas. Para alterar o referido entendimento e acolher o pleito absolutório, seria necessário o reexame aprofundado dos fatos e das provas constantes dos autos, procedimento vedado nesta via do habeas corpus.

IV. DISPOSITIVO

9. Agravo regimental não provido.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 01/10/2026 a 08/10/2026, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Carlos Pires Brandão. Os Srs. Ministros Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do TJDFT), Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior e Rogerio Schietti Cruz votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.

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