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Jurisprudências

STJAgRg no AREsp 3.119.189

Estupro: palavra da vítima

Relator(a): Ribeiro Dantas

Ementa

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO. PALAVRA DA VÍTIMA. SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE LAUDO PERICIAL. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, "a" e "b", do Regimento Interno do STJ, conheceu do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negou-lhe provimento, em condenação por crime do art. 213 do Código Penal.

2. Fato relevante. Tribunal de origem manteve a condenação com apoio no depoimento da vítima colhido sob o crivo do contraditório, reputando as versões coerentes e a narrativa defensiva isolada, e afastou a desclassificação para contravenção de vias de fato ou lesão corporal recíproca, por evidenciar ato sexual não consentido mediante violência e grave ameaça.

3. As alegações do agravante. Pretensão de afastar a incidência da Súmula 7/STJ, sustentando insuficiência jurídica da condenação baseada no relato da vítima e ausência de prova técnica de violência sexual, com pedido de conhecimento e provimento do recurso especial.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

4. A questão em discussão consiste em saber se a pretensão absolutória ou desclassificatória demanda reexame do conjunto fático-probatório, o que atrai a incidência da Súmula 7/STJ.

5. A questão em discussão consiste em saber se, em delitos contra a liberdade sexual, a palavra da vítima, colhida sob o contraditório, possui valor probante diferenciado capaz de sustentar a condenação.

6. A questão em discussão consiste em saber se a ausência de laudo pericial afasta a materialidade do estupro quando a consumação decorre de atos libidinosos diversos da conjunção carnal, que não deixam vestígios.

III. RAZÕES DE DECIDIR

7. A inversão do julgado para acolher tese absolutória ou desclassificatória exigiria reexame do acervo fático-probatório, providência inviável em recurso especial, nos termos da Súmula 7/STJ; as razões recursais não indicam fatos incontroversos aptos a afastar a conclusão das instâncias ordinárias.

8. Nos delitos contra a liberdade sexual, por frequentemente não deixarem vestígios, a palavra da vítima, avaliada pelas instâncias ordinárias sob o crivo do contraditório, tem valor probante diferenciado e pode ser suficiente para sustentar a condenação.

9. A ausência de laudo pericial não afasta a materialidade do estupro quando a consumação se dá por atos libidinosos diversos da conjunção carnal, sendo possível a comprovação por outros meios de prova.

10. Mantém-se a decisão agravada por seus próprios fundamentos.

IV. DISPOSITIVO E TESE

11. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.

Tese de julgamento:

1. É inviável, em recurso especial, o reexame do conjunto fático-probatório para acolher pretensão absolutória ou desclassificatória, nos termos da Súmula 7/STJ. 2. Nos crimes contra a liberdade sexual, a palavra da vítima, colhida sob o contraditório, possui valor probante diferenciado e pode, quando harmônica com os demais elementos, sustentar a condenação. 3. A materialidade do estupro pode ser demonstrada por outros meios de prova, sendo dispensável o laudo pericial quando a consumação se dá por atos libidinosos sem vestígios. Dispositivos relevantes citados: RISTJ, art. 253, parágrafo único, II, "a" e "b"; CP, art. 213; Súmula 7/STJ

Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no AREsp 2.564.548/TO, Sexta Turma, j. 13.08.2024; STJ, AgRg no AREsp 2.681.364/MG, Quinta Turma, j. 20.08.2024; STJ, AgRg no HC 995.218/MG, Quinta Turma, j. 24.06.2025; STJ, AgRg nos EDcl no AREsp 2.909.717/SE, Sexta Turma, j. 17.06.2025

Tese

1. É inviável, em recurso especial, o reexame do conjunto fático-probatório para acolher pretensão absolutória ou desclassificatória, nos termos da Súmula 7/STJ. 2. Nos crimes contra a liberdade sexual, a palavra da vítima, colhida sob o contraditório, possui valor probante diferenciado e pode, quando harmônica com os demais elementos, sustentar a condenação. 3. A materialidade do estupro pode ser demonstrada por outros meios de prova, sendo dispensável o laudo pericial quando a consumação se dá por atos libidinosos sem vestígios. Dispositivos relevantes citados: RISTJ, art. 253, parágrafo único, II, "a" e "b"; CP, art. 213; Súmula 7/STJ

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

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