STJAgRg no RMS 78.998
Medidas assecuratórias: bloqueio de ativos financeiros
Relator(a): Reynaldo Soares da Fonseca
- Direito Penal
- Processo Penal
- Medidas assecuratórias
- Bloqueio de ativos financeiros
- "operação ancoradouro"
- Alegação de alcance sobre verbas de natureza alimentar
- Insuficiência de prova pré-constituída
- Indício objetivo mínimo (transferência unilateral de r$ 19.999,69)
Ementa
PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDAS ASSECURATÓRIAS. BLOQUEIO DE ATIVOS FINANCEIROS. "OPERAÇÃO ANCORADOURO". ALEGAÇÃO DE ALCANCE SOBRE VERBAS DE NATUREZA ALIMENTAR. INSUFICIÊNCIA DE PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA. INDÍCIO OBJETIVO MÍNIMO (TRANSFERÊNCIA UNILATERAL DE R$ 19.999,69). CONTEMPORANEIDADE NAS MEDIDAS CAUTELARES REAIS. PROPORCIONALIDADE E ADEQUAÇÃO DA CONSTRIÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO COMPROVADO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
1. O bloqueio de ativos financeiros não atingiu conta-salário nem verbas de natureza alimentar, e a agravante não apresentou prova pré-constituída idônea a infirmar a premissa fática estabelecida nas instâncias ordinárias.
2. A existência de indício objetivo mínimo, consubstanciado na transferência unilateral de R$ 19.999,69, de origem desconhecida, posteriormente estornada, sugere possível inserção na cadeia de lavagem de ativos, não sendo viável, na via mandamental, dilação probatória para desconstituir tais elementos.
3. A urgência das medidas cautelares reais foi aferida pela atualidade da necessidade de constrição e pelo risco concreto de frustração do resultado útil do processo, especialmente em investigações de lavagem de capitais e organização criminosa, não se identificando vício de temporalidade.
4. O bloqueio de ativos foi proporcional e adequado diante do modus operandi (pulverização de valores e possível emprego de contas de terceiros), do montante do prejuízo e do risco de dissipação, permanecendo resguardadas a conta-salário e as verbas alimentares.
5. O mandado de segurança exige demonstração de direito líquido e certo de plano, o que não ocorreu, sendo inviável a formação probatória sobre a regularidade e a origem de operações financeiras. Julgado: "Não se evidencia excesso de prazo ou desproporcionalidade da medida, justificada pela complexidade do feito, pluralidade de partes, ações e bens, e pela atuação diligente do Judiciário para garantir a efetividade do processo e prevenir dilapidação patrimonial" (AgRg no RMS n. 78.726/PR, relatora Ministra Maria Marluce Caldas, Quinta Turma, DJEN de 22/6/2026).
6. Agravo regimental a que se nega provimento.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Maria Marluce Caldas votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.
Indexação
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