STJAgRg no RHC 224.301
Crimes contra a honra: nulidade processual
Relator(a): Carlos Pires Brandão
- Processo Penal
- Direito Penal
- Crimes contra a honra
- Nulidade processual
- Deficiência de defesa técnica
- Rol de testemunhas
- Apresentação extemporânea
- Preclusão
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. CRIMES CONTRA A HONRA. NULIDADE PROCESSUAL. DEFICIÊNCIA DE DEFESA TÉCNICA. SÚMULA 523/STF. ROL DE TESTEMUNHAS. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO CONCRETO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que negou provimento a recurso ordinário em habeas corpus, mantendo a validade de atos processuais.
2. A agravante sustenta a ocorrência de nulidade por deficiência de defesa técnica, uma vez que seu patrono anterior não arrolou testemunhas na resposta à acusação, gerando prejuízo insanável.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. A questão em discussão consiste em verificar se a não apresentação do rol de testemunhas na resposta à acusação, seguida de indeferimento de juntada extemporânea, configura deficiência de defesa apta a anular o processo, nos termos da Súmula 523/STF.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. A decisão agravada não merece reforma. A jurisprudência desta Corte Superior é pacífica no sentido de que o momento para a apresentação do rol de testemunhas é a resposta à acusação, conforme o art. 396-A do Código de Processo Penal, operando-se a preclusão temporal caso a parte se mantenha inerte.
5. A alegação de nulidade por deficiência da defesa técnica exige a demonstração de prejuízo concreto para o réu, conforme o entendimento consolidado na Súmula n. 523 do Supremo Tribunal Federal, o que não se verifica no caso. As instâncias ordinárias assentaram que a natureza da prova acusatória, eminentemente documental e videográfica, afastava o suposto prejuízo decorrente da não oitiva das testemunhas arroladas a destempo.
IV. DISPOSITIVO
6. Agravo regimental não provido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 13/11/2025 a 19/11/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz e Antonio Saldanha Palheiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.