STJAgRg no RHC 239.706
Crime de trânsito: homicídio culposo
Relator(a): Rogerio Schietti
- Direito Penal
- Processo Penal
- Crime de trânsito
- Homicídio culposo
- Trancamento do processo
- Inviabilidade
- Inépcia da denúncia
- Requisitos do art. 41 do CPP preenchidos
Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. CRIME DE TRÂNSITO. HOMICÍDIO CULPOSO. TRANCAMENTO DO PROCESSO. INVIABILIDADE. INÉPCIA DA DENÚNCIA. INOCORRÊNCIA. REQUISITOS DO ART. 41 DO CPP PREENCHIDOS. JUSTA CAUSA DEMONSTRADA. TESES DEFENSIVAS QUE DEMANDAM DILAÇÃO PROBATÓRIA. INCOMPATIBILIDADE COM A VIA DO HABEAS CORPUS. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. O trancamento do processo em habeas corpus, por ser medida excepcional, somente é cabível quando demonstradas, de maneira inequívoca, a atipicidade da conduta, a absoluta falta de provas da materialidade do crime e de indícios de autoria ou a existência de causa extintiva da punibilidade.
2. A alegação de inépcia da denúncia não procede. A peça acusatória descreveu o fato criminoso com todas as suas circunstâncias, qualificou o acusado, individualizou sua conduta, classificou o crime e arrolou testemunhas, preenchendo os requisitos do art. 41 do CPP.
3. A justa causa foi demonstrada. A denúncia descreveu conduta que, em tese, pode revelar imprudência apta a caracterizar o crime culposo de trânsito, havendo nos autos inquérito policial com relatório de investigação preliminar, gravações de videomonitoramento, laudo de exame cadavérico e interrogatório do acusado, elementos que indicam, em conjunto, a materialidade do fato e indícios de autoria.
4. As teses defensivas relativas à resolução dos vídeos, à ausência de perícia técnica e à dinâmica do acidente demandam dilação probatória, incompatível com a via estreita do habeas corpus.
5. Agravo regimental não provido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 10/09/2026 a 16/09/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Carlos Pires Brandão, Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do TJDFT), Og Fernandes e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.