STJAgRg nos EDcl no HC 953.138
Tráfico de drogas: pretensão absolutória
Relator(a): Maria Marluce Caldas
- Processo Penal
- Direito Penal
- Tráfico de drogas
- Pretensão absolutória
- Reiteração de pedido anterior e necessidade de dilação probatória
- Dosimetria da pena
- Incidência da atenuante da confissão espontânea
- Supressão de instância
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRÁFICO DE DROGAS. PRETENSÃO ABSOLUTÓRIA. REITERAÇÃO DE PEDIDO ANTERIOR E NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. DOSIMETRIA DA PENA. INCIDÊNCIA DA ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA. TESE NÃO SUBMETIDA AO TRIBUNAL DE ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DECISÃO AGRAVADA MANTIDA. DESPROVIMENTO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus, mas concedeu parcialmente a ordem de ofício para reduzir a pena-base pela condenação por tráfico de drogas ao mínimo legal.
2. Embargos de declaração opostos pela defesa foram rejeitados.
3. No agravo regimental, a defesa busca reconsideração da decisão agravada, alegando constrangimento ilegal na condenação por tráfico de drogas, fundamentada exclusivamente na confissão informal perante policiais, e insuficiência do acervo probatório. Subsidiariamente, pleiteia o reconhecimento da atenuante de confissão espontânea.
4. O Ministério Público Federal opinou pelo desprovimento do agravo regimental.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
5. Há duas questões em discussão: (i) saber se a condenação por tráfico de drogas, fundamentada na confissão informal e no acervo probatório, configura constrangimento ilegal; e (ii) saber se é possível o reconhecimento da atenuante de confissão espontânea, considerando a ausência de análise pela instância ordinária.
III. RAZÕES DE DECIDIR
6. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça impede o conhecimento de habeas corpus sem o exaurimento da instância ordinária, para evitar supressão de instância.
7. A ausência de manifestação do Tribunal local sobre a aplicação da atenuante da confissão espontânea impede a análise do tema por esta Corte.
8. A condenação por tráfico de drogas foi fundamentada em conjunto probatório seguro, incluindo declarações de policiais e outros elementos corroborativos, afastando a alegação de insuficiência probatória.
9. A reanálise do acervo fático-probatório é inviável na via do habeas corpus, que não admite dilação probatória ou reexame de provas.
IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO
Tese de julgamento:
1. O habeas corpus não pode ser conhecido sem o exaurimento da instância ordinária.
2. A reanálise do acervo fático-probatório é inviável na via do habeas corpus.
3. A condenação por tráfico de drogas pode ser fundamentada em conjunto probatório seguro, incluindo declarações de policiais e outros elementos corroborativos.
Dispositivos relevantes citados: Código de Processo Penal, art. 387, § 2º; Código Penal, art. 59.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 939.756/RJ, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 10/12/2024, DJe de 17/12/2024; STJ, AgRg no HC 1.001.704/PR, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 3/9/2025, DJe de 8/9/2025.
Tese
1. O habeas corpus não pode ser conhecido sem o exaurimento da instância ordinária.
2. A reanálise do acervo fático-probatório é inviável na via do habeas corpus.
3. A condenação por tráfico de drogas pode ser fundamentada em conjunto probatório seguro, incluindo declarações de policiais e outros elementos corroborativos.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 19/11/2025 a 25/11/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.