Pular para o conteúdo
PortalJUSTIÇA
Jurisprudências

STJAgRg no AREsp 2.298.652

Interceptação telefônica: nulidade

Relator(a): Carlos Pires Brandão

Ementa

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA. NULIDADE. PROVAS INDEPENDENTES. NULIDADE DE ALGIBEIRA. AGRAVO NÃO PROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que conheceu do agravo, para conhecer do recurso especial e negar-lhe provimento.

2. A agravante alega nulidade da interceptação telefônica pela ausência de juntada aos autos da decisão autorizativa, inexistência de provas independentes aptas a sustentar a condenação, necessidade de novo júri e indevida aplicação da "nulidade de algibeira".

3. Requer o provimento do agravo regimental para reconhecimento da ilicitude da interceptação, desentranhamento das provas derivadas e anulação do julgamento para novo júri; subsidiariamente, pleiteia submissão do recurso ao colegiado para suprimento da omissão e provimento do recurso especial.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

4. Há três questões em discussão: (i) saber se a ausência de juntada da decisão autorizativa da interceptação telefônica gera nulidade; (ii) saber se há provas independentes aptas a sustentar a condenação; e (iii) saber se a aplicação da "nulidade de algibeira" é cabível no caso.

III. RAZÕES DE DECIDIR

5. A decisão agravada destacou que, embora a decisão autorizativa das interceptações não tenha sido fisicamente anexada aos autos principais, houve autorização judicial específica e fundamentada em procedimento cautelar autônomo, com amplo acesso da defesa ao procedimento, afastando qualquer prejuízo.

6. A tese de nulidade foi enquadrada como intempestiva e caracterizada como "nulidade de algibeira", inadmitida pela jurisprudência, considerando que a defesa não solicitou oportunamente o acesso à decisão judicial durante o curso do processo.

7. A decisão agravada evidenciou a existência de elementos probatórios diversos, colhidos sob contraditório, como boletim de ocorrência, auto de apreensão, certidão de óbito, laudos periciais e prova testemunhal, que são independentes das interceptações telefônicas, afastando a alegação de ausência de provas independentes.

8. A decisão monocrática enfrentou a temática da suficiência probatória e da independência das fontes, reafirmando a inviabilidade de revisão das premissas fáticas e a necessidade de observar o limite cognitivo da instância especial.

IV. DISPOSITIVO E TESE

9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.

Tese de julgamento:

1. A ausência de juntada da decisão autorizativa de interceptação telefônica aos autos principais não gera nulidade quando há autorização judicial específica e fundamentada em procedimento cautelar autônomo, com amplo acesso da defesa ao procedimento.

2. A intempestividade da alegação de nulidade caracteriza "nulidade de algibeira", inadmitida pela jurisprudência.

3. A existência de provas independentes, colhidas sob contraditório, é suficiente para sustentar a condenação, afastando a necessidade de novo julgamento.

Dispositivos relevantes citados: CPP, arts. 155, 226, 593, III, "d".

Tese

1. A ausência de juntada da decisão autorizativa de interceptação telefônica aos autos principais não gera nulidade quando há autorização judicial específica e fundamentada em procedimento cautelar autônomo, com amplo acesso da defesa ao procedimento.

2. A intempestividade da alegação de nulidade caracteriza "nulidade de algibeira", inadmitida pela jurisprudência.

3. A existência de provas independentes, colhidas sob contraditório, é suficiente para sustentar a condenação, afastando a necessidade de novo julgamento.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz e Antonio Saldanha Palheiro votaram com o Sr. Ministro Relator.

Cookies e privacidade

Usamos cookies essenciais para o portal funcionar e, se você permitir, o Google Analytics para medir a audiência de forma agregada. Saiba mais na Política de privacidade.