STJAgRg no AREsp 3.184.200
Crime contra a dignidade sexual: palavra da vítima corroborada por elementos técnicos e testemunhais
Relator(a): Joel Ilan Paciornik
- Direito Penal
- Processo Penal
- Crime contra a dignidade sexual
- Palavra da vítima corroborada por elementos técnicos e testemunhais
- Vedação ao reexame do conjunto fático-probatório (súmula n. 7/STJ)
Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIME CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL. PALAVRA DA VÍTIMA CORROBORADA POR ELEMENTOS TÉCNICOS E TESTEMUNHAIS. VEDAÇÃO AO REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO (SÚMULA N. 7/STJ). AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que, com fundamento no art. 932, III, do CPC e no art. 34, XVIII, "a", do RISTJ, não conheceu do recurso especial, em razão da incidência do óbice da Súmula n. 7 do STJ, por demandar reexame do conjunto fático-probatório para infirmar conclusão das instâncias ordinárias acerca da suficiência das provas de materialidade e autoria.
2. Os agravantes sustentam o afastamento do impeditivo, alegando que a tese sobre o especial valor da palavra da vítima, nos delitos contra a dignidade sexual, deve observar harmonia com o acervo probatório, tratando-se de matéria de direito, com premissas fáticas delineadas no acórdão recorrido.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. A questão em discussão consiste em saber se é possível afastar a incidência da Súmula 7/STJ para permitir o reexame da suficiência do conjunto fático-probatório e, por consequência, analisar a alegada fragilidade das provas que embasaram a condenação por crime contra a dignidade sexual, à luz do especial valor da palavra da vítima quando corroborada por outros elementos.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. Nos crimes contra a dignidade sexual, a palavra da vítima possui especial valor probante, sobretudo quando coerente, verossímil e corroborada por outros elementos de prova submetidos ao contraditório, entendimento que foi observado pelo Tribunal de origem ao validar relatos e avaliações técnicas.
5. No contexto, a pretensão de absolvição fundada em suposta insuficiência probatória demanda o reexame do conjunto fático-probatório, providência vedada em sede de recurso especial, conforme a Súmula 7/STJ.
IV. DISPOSITIVO E TESE
6. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido, mantida a decisão que não conheceu do recurso especial.
Tese de julgamento:
1. É inviável, em recurso especial, o reexame da suficiência do conjunto fático-probatório para discutir alegada fragilidade das provas, por força da Súmula 7/STJ.
2. Nos crimes contra a dignidade sexual, a palavra da vítima tem especial valor probante quando coerente e corroborada por outros elementos de prova submetidos ao contraditório.
Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 932, III; RISTJ, art. 34, XVIII, "a"; Súmula 7/STJ; Lei 13.146/2015
Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no REsp 2.209.296/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, j. 19.08.2025; STJ, AgRg no AREsp 2.923.550/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, j. 19.08.2025; STJ, AgRg no AREsp 2.747.144/CE, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, j. 04.02.2025; STJ, AgRg nos EDcl no AREsp 2.712.225/MG, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, j. 14.04.2025
Tese
1. É inviável, em recurso especial, o reexame da suficiência do conjunto fático-probatório para discutir alegada fragilidade das provas, por força da Súmula 7/STJ.
2. Nos crimes contra a dignidade sexual, a palavra da vítima tem especial valor probante quando coerente e corroborada por outros elementos de prova submetidos ao contraditório.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas, Reynaldo Soares da Fonseca e Ribeiro Dantas votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.