STJAgRg no AREsp 3.253.634
Estupro de vulnerável: insuficiência probatória
Relator(a): Ribeiro Dantas
- Processo Penal
- Direito Penal
- Estupro de vulnerável
- Insuficiência probatória
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. O recurso. Agravo regimental interposto pelo órgão acusatório contra decisão monocrática que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial.
2. Fato relevante. O Tribunal de origem absolveu o acusado, com fundamento no princípio do in dubio pro reo e no art. 386, VII, do CPP, após valoração global do acervo probatório, destacando incongruências entre o relato da vítima e os exames periciais, bem como a falta de confirmação idônea de supostas conversas em redes sociais.
3. As decisões anteriores. A decisão monocrática aplicou a Súmula 7/STJ para obstar a pretensão recursal, por demandar revolvimento do conjunto fático-probatório.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. A questão em discussão consiste em saber se a reforma da absolvição proferida pelas instâncias ordinárias, à luz da alegada especial relevância da palavra da vítima em crimes contra a dignidade sexual, pressupõe reexame do conjunto fático-probatório, inviável em recurso especial, ou se se trata de mera revaloração jurídica das premissas fáticas reconhecidas.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. A absolvição na origem fundamentou-se em análise abrangente das provas (relato da vítima, laudos periciais, documentos e demais circunstâncias), concluindo pela persistência de dúvida razoável sobre a ocorrência dos fatos, o que atrai o art. 386, VII, do CPP.
6. A pretensão de infirmar esse juízo demanda revolvimento das premissas fáticas e da valoração probatória realizada pelas instâncias ordinárias, vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ.
7. Não se cuida de revaloração jurídica de fatos incontroversos, pois o recorrente busca alterar a conclusão sobre a suficiência e a consistência das provas, o que é matéria fático-probatória.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.
Tese de julgamento:
1. É inviável, em recurso especial, reformar absolvição fundada na dúvida razoável e na valoração do conjunto probatório, por implicar reexame de fatos e provas vedado pela Súmula 7/STJ. Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 386, VII; CP, art. 217-A, caput; CP, art. 226, II; Súmula 7/STJ.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp n. 3.010.116/SP, relator Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em 17/6/2026, DJEN de 23/6/2026.
Tese
1. É inviável, em recurso especial, reformar absolvição fundada na dúvida razoável e na valoração do conjunto probatório, por implicar reexame de fatos e provas vedado pela Súmula 7/STJ. Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 386, VII; CP, art. 217-A, caput; CP, art. 226, II; Súmula 7/STJ.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.