STJAgRg no AREsp 2.767.306
Homicídio qualificado: pronúncia
Relator(a): Carlos Pires Brandão
- Processo Penal
- Direito Penal
- Homicídio qualificado
- Pronúncia
- Indícios de autoria
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO. PRONÚNCIA. INDÍCIOS DE AUTORIA. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto pela defesa contra decisão monocrática que conheceu do agravo para não conhecer de recurso especial e manteve a pronúncia do agravante pela prática, em tese, de homicídio qualificado.
2. A decisão recorrida assentou a incidência da Súmula 7/STJ, por demandar reexame do conjunto probatório para infirmar a conclusão do Tribunal de origem quanto à existência de indícios de autoria.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. Há duas questões em discussão: (i) saber se os indícios de autoria que fundamentaram a pronúncia são juridicamente idôneos à luz de provas produzidas em juízo; e (ii) saber se a revisão dessa conclusão, em recurso especial, é possível sem incidir no óbice da Súmula 7/STJ.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. A pronúncia encerra juízo de admissibilidade e exige a presença de materialidade e indícios suficientes de autoria, não se demandando prova plena.
5. O acórdão estadual registrou a existência de elementos probatórios produzidos em juízo que corroboram os dados colhidos na fase investigativa, notadamente depoimentos da testemunha e do policial mencionados no voto.
6. A tese defensiva de que tais depoimentos seriam mero testemunho indireto ou repetição do inquérito pressupõe incursão aprofundada no conteúdo das provas para desconstituir a premissa fática firmada pelo Tribunal a quo.
7. A revisão pretendida configura reexame de provas, o que atrai o óbice da Súmula 7/STJ e inviabiliza o conhecimento do recurso especial.
8. Em sede de pronúncia, eventual dúvida remanescente quanto à autoria deve ser dirimida pelo Tribunal do Júri, juiz natural da causa.
IV. DISPOSITIVO
9. Agravo regimental não provido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. A Sra. Ministra Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do TJDFT) e os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior e Rogerio Schietti Cruz votaram com o Sr. Ministro Relator.