STJAgRg no AREsp 3.241.650
Impugnação específica: dissídio jurisprudencial
Relator(a): Messod Azulay Neto
- Processo Penal
- Direito Penal
- Impugnação específica
- Dissídio jurisprudencial
- Pronúncia
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. SÚMULAS N. 182, 7 E 83 DO STJ. SÚMULA N. 284 DO STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. PRONÚNCIA. REEXAME DE PROVAS. HABEAS CORPUS DE OFÍCIO. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do agravo em recurso especial, por incidência da Súmula n. 182 do STJ e, quanto à demonstração de dissídio, da Súmula n. 284 do STF.
2. Fato relevante. No regimental, a defesa afirma ter impugnado os três fundamentos da decisão de inadmissibilidade, sustenta valoração jurídica de prova documental de monitoramento eletrônico, invoca precedentes que vedam pronúncia baseada apenas em testemunho indireto e destaca parecer favorável à impronúncia; requer o provimento do agravo e, subsidiariamente, a concessão de habeas corpus de ofício.
3. As decisões anteriores. A decisão agravada apontou, de modo individualizado, que o agravo em recurso especial não enfrentou adequadamente os três fundamentos autônomos da inadmissão, incidindo as Súmulas n. 7 e n. 83 do STJ e ausente demonstração de dissídio com similitude fático-jurídica (CPC, art. 1.029, § 1º; RISTJ, art. 255).
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. Há quatro questões em discussão: (i) saber se o agravo regimental atende ao requisito de impugnação específica dos fundamentos da decisão que não conheceu do agravo em recurso especial e se pode suprir a deficiência do recurso, à luz da Súmula n. 182 do STJ; (ii) saber se a controvérsia sobre a suficiência de indícios para a pronúncia permite revaloração jurídica sem reexame do conjunto probatório, afastando os óbices das Súmulas n. 7 e n. 83 do STJ; (iii) saber se houve demonstração de dissídio jurisprudencial com similitude fático-jurídica, conforme o art. 1.029, § 1º, do CPC e o art. 255 do RISTJ; e (iv) saber se há ilegalidade flagrante apta a justificar a concessão de habeas corpus de ofício.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. O agravo em recurso especial não enfrentou adequadamente os três fundamentos autônomos da inadmissão; a impugnação desenvolvida apenas no agravo regimental, inclusive por quadro comparativo e indicação de julgados, é tardia.
6. Aplica-se a Súmula n. 182 do STJ, porque houve descumprimento do ônus da dialeticidade ao não se impugnar, de forma específica, todos os fundamentos da decisão agravada; o agravo regimental não supre deficiência de fundamentação do agravo em recurso especial.
7. Mantém-se a incidência das Súmulas n. 7 e n. 83 do STJ: não houve confronto concreto entre a moldura fática do acórdão recorrido e os precedentes invocados e a pretensão demanda reexame do conjunto probatório.
8. O dissídio jurisprudencial não foi demonstrado, diante da ausência de similitude fático-jurídica exigida pelo CPC, art. 1.029, § 1º, e pelo RISTJ, art. 255.
9. O Tema Repetitivo n. 1.260 do STJ, embora trate de prova inquisitorial e testemunho indireto na pronúncia, não transforma toda controvérsia sobre suficiência de indícios em questão exclusivamente de direito nem afasta os óbices formais do recurso.
10. Não há incompatibilidade manifesta com a jurisprudência que veda pronúncia fundada exclusivamente em testemunho indireto, pois o acórdão recorrido indicou elementos adicionais: posição de liderança atribuída ao acusado, provas compartilhadas, depoimentos policiais judicializados e informação de testemunha protegida n. 002/2024.
11. A conclusão de que a participação pode ocorrer por autorização remota, independentemente de presença física, e que os registros de monitoramento não afastam os indícios, somente poderia ser revista mediante reexame dos elementos probatórios, vedado pela Súmula n. 7 do STJ.
12. O parecer ministerial favorável à impronúncia não vincula o julgador e não supera a deficiência de impugnação nem autoriza o reexame do conjunto probatório em recurso especial.
13. Inexistente ilegalidade flagrante, não se justifica a concessão de habeas corpus de ofício.
IV. DISPOSITIVO
14. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.
Dispositivos relevantes citados: Súmula n. 182/STJ; Súmula n. 7/STJ; Súmula n. 83/STJ; Súmula n. 284/STF; CPC, art. 1.029, § 1º; RISTJ, art. 255
Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg nos EDcl no AREsp n. 3.182.344/RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 9/6/2026, DJEN de 17/6/2026; STJ, AgRg no AREsp n. 3.226.860/PB, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJEN de 13/8/2026; STJ, AgRg no AREsp n. 2.937.604/MG, Quinta Turma; STJ, Tema Repetitivo n. 1.260.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Maria Marluce Caldas, Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e Joel Ilan Paciornik votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.