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Jurisprudências

STJAgRg no HC 1.051.590

Inadequação da via eleita: inexistência de ilegalidade flagrante

Relator(a): Messod Azulay Neto

Ementa

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. INEXISTÊNCIA DE ILEGALIDADE FLAGRANTE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que indeferiu liminarmente habeas corpus, por entender que a ação foi manejada em substituição à revisão criminal, em desacordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.

2. O paciente foi condenado à pena de 3 anos de reclusão, em regime inicial fechado, além de 700 dias-multa, por infração ao artigo 35 da Lei 11.343/2006. A defesa alegou constrangimento ilegal na manutenção do regime inicial fechado e na negativa de substituição da pena corporal por restritiva de direitos, sustentando contrariedade ao artigo 33, § 2º, alínea c, e § 3º, do Código Penal, à Súmula n. 440 do STJ e às Súmulas n. 718 e 719 do STF.

3. A decisão agravada foi fundamentada na inadequação da via eleita, considerando que o habeas corpus foi impetrado após o trânsito em julgado da condenação, sendo sucedâneo de revisão criminal, e na inexistência de ilegalidade flagrante que justificasse a concessão da ordem.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

4. A questão em discussão consiste em saber se é cabível a concessão de habeas corpus de ofício, mesmo após o trânsito em julgado da condenação, diante da alegação de constrangimento ilegal na manutenção do regime inicial fechado e na negativa de substituição da pena corporal por restritiva de direitos.

III. RAZÕES DE DECIDIR

5. O habeas corpus não pode ser utilizado como sucedâneo de revisão criminal, conforme jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça.

6. A concessão de habeas corpus de ofício é prerrogativa do julgador e não constitui direito subjetivo da parte, sendo cabível apenas em casos de ilegalidade flagrante, nos termos do artigo 654, § 2º, do Código de Processo Penal.

7. No caso concreto, não se verifica ilegalidade flagrante que autorize a concessão da ordem de ofício, considerando que a condenação transitou em julgado e que não há elementos que demonstrem a inadequação do regime inicial ou da negativa de substituição da pena.

IV. DISPOSITIVO E TESE

8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.

Tese de julgamento:

1. O habeas corpus não pode ser utilizado como sucedâneo de revisão criminal, sendo incabível quando a condenação já tiver transitado em julgado. 2. A concessão de habeas corpus de ofício é prerrogativa do julgador e depende da constatação de ilegalidade flagrante, nos termos do artigo 654, § 2º, do Código de Processo Penal.

Dispositivos relevantes citados:CP, art. 33, § 2º, alínea c, e § 3º; CP, art. 44, incisos I a III; CPP, art. 654, § 2º.

Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no HC 861.867/SC, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 02.09.2024; STJ, EDcl no AgRg no AREsp 2.462.348/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 12.03.2024.

Tese

1. O habeas corpus não pode ser utilizado como sucedâneo de revisão criminal, sendo incabível quando a condenação já tiver transitado em julgado. 2. A concessão de habeas corpus de ofício é prerrogativa do julgador e depende da constatação de ilegalidade flagrante, nos termos do artigo 654, § 2º, do Código de Processo Penal.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Maria Marluce Caldas, Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e Joel Ilan Paciornik votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

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