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Jurisprudências

STJAgRg no AREsp 3.089.315

Tipicidade formal: dissídio pela alínea c apoiado em fatos

Relator(a): Reynaldo Soares da Fonseca

Ementa

PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TIPICIDADE FORMAL. ARTS. 213 E 20 DO CÓDIGO PENAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. REEXAME DE PROVAS. DISSÍDIO PELA ALÍNEA C APOIADO EM FATOS. IMPOSSIBILIDADE. ERRO DE TIPO. AFASTAMENTO. DOSIMETRIA. CONSEQUÊNCIAS DO CRIME NEGATIVADAS. SUSTENTAÇÃO ORAL. INADMISSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.

1. A defesa sustenta a não incidência da Súmula 7/STJ, afirmando que as teses relativas aos arts. 213 e 20 do Código Penal e ao dissídio jurisprudencial são estritamente jurídicas e prescindem de revolvimento probatório. Todavia, a decisão agravada, com base na moldura fática firmada pelo Tribunal de origem, reconheceu a presença de violência física após o dissenso explícito da vítima, corroborado por depoimentos e laudo psicológico, o que afasta a possibilidade de requalificação sem incursão probatória, vedada pela Súmula 7/STJ.

2. Não é possível o conhecimento do recurso especial pela alínea c quando o dissídio repousa em fatos, aplicando-se também nesse caso a Súmula 7/STJ. Precedentes.

3. Em hipóteses de dissenso superveniente no curso do ato sexual, a continuidade do ato mediante uso de força física configura a elementar violência do art. 213 do Código Penal, ainda que a relação tenha se iniciado consensualmente.

4. O erro de tipo não se configura quando o acórdão recorrido registra, de forma categórica, que o agente, cientificado do dissenso, prosseguiu mediante violência, premissa fática insuscetível de reexame em sede especial.

5. Na dosimetria, a negativação das consequências do crime foi motivada por elementos concretos que demonstram abalo psíquico superior ao inerente ao tipo e laceração decorrente da agressividade da conduta, não havendo dissonância com a jurisprudência desta Corte.

6. Não cabe sustentação oral no julgamento de agravo regimental interposto contra decisão que julgou agravo em recurso especial.

7. Agravo regimental não provido.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, prosseguindo no julgamento, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas (voto-vista), Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Maria Marluce Caldas votaram com o Sr. Ministro Relator.

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