STJEDcl no AgRg no RHC 224.882
Teoria do juízo aparente: competência jurisdicional
Relator(a): Joel Ilan Paciornik
- Processo Penal
- Direito Penal
- Teoria do juízo aparente
- Competência jurisdicional
- Ausência de omissão e contradição
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TEORIA DO JUÍZO APARENTE. COMPETÊNCIA JURISDICIONAL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. EMBARGOS REJEITADOS.
I. CASO EM EXAME
1. O incidente. Embargos de declaração opostos contra acórdão que, à unanimidade, negou provimento a agravo regimental interposto contra decisão monocrática que havia negado provimento a recurso ordinário em habeas corpus.
2. Fato relevante. Investigação instaurada pela Polícia Federal para apurar supostos desvios de recursos destinados à educação municipal, com registro de indícios de origem federal vinculada ao Salário-Educação em parte dos empenhos, seguida de representação por cautelares perante Vara Federal que inicialmente se declarou competente. Acolhida a Exceção de Incompetência, houve declínio para a Justiça Estadual, que ratificou os atos com fundamento na Teoria do Juízo Aparente. Habeas corpus denegado no Tribunal estadual e, em sede superior, mantida a conclusão por decisão monocrática e pelo acórdão ora embargado.
3. Os fundamentos do acórdão embargado. Conclusão pela existência de dúvida razoável sobre a competência no momento das medidas e pela inaplicabilidade dos embargos como sucedâneo recursal para rediscussão do mérito, com integral reiteração dos fundamentos da decisão monocrática.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. A questão em discussão consiste em saber se o acórdão embargado incorreu em omissão ao não enfrentar a tese de inexistência de dúvida razoável apta a legitimar a aplicação da Teoria do Juízo Aparente e a alegação de necessidade de diligência prévia pela autoridade policial antes de representar por cautelares perante juízo absolutamente incompetente.
5. A questão em discussão consiste em saber se há contradição interna entre afirmar a existência de dúvida razoável sobre a competência e, ao mesmo tempo, reconhecer que a definição dessa competência dependia de análise concreta acerca da incorporação dos recursos ao patrimônio municipal.
III. RAZÕES DE DECIDIR
6. O acórdão embargado enfrentou expressamente a existência de dúvida razoável sobre a competência no momento da instauração das investigações e das cautelares, com apoio em indícios concretos de origem federal dos recursos vinculados ao Salário-Educação, afastando a alegada omissão.
7. A atuação investigativa não exige certeza absoluta prévia sobre todos os elementos definidores da competência; a investigação criminal é processo dialético e a aparência inicial de competência, fundada em indícios concretos, legitima a adoção de medidas, não configurando omissão do julgado.
8. Inexiste contradição lógica entre reconhecer dúvida razoável e afirmar que a definição da competência dependia de análise concreta sobre a incorporação dos recursos ao patrimônio municipal; a necessidade dessa análise evidencia, precisamente, a dúvida plausível que sustenta a aplicação da Teoria do Juízo Aparente.
9. Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão do mérito da controvérsia sob o rótulo de vícios formais, sendo incabível sua utilização como sucedâneo recursal, nos termos dos arts. 619 e 620 do Código de Processo Penal.
IV. DISPOSITIVO E TESE
10. Resultado do Julgamento: Embargos de declaração rejeitados.
Tese de julgamento:
Dispositivos relevantes citados:CPP, art. 619; CPP, art. 620
Jurisprudência relevante citada:Não há precedentes citados.
Tese
Dispositivos relevantes citados:CPP, art. 619; CPP, art. 620
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, rejeitar os embargos. Os Srs. Ministros Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas e Ribeiro Dantas votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.