STJAgRg no HC 1.120.840
Tráfico de drogas: prisão preventiva
Relator(a): Og Fernandes
- Direito Penal
- Processo Penal
- Tráfico de drogas
- Prisão preventiva
- Fundamentação idônea
- Reiteração delitiva
- Contemporaneidade
- Medidas cautelares alternativas
Ementa
DIREITO PENAL. DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. REITERAÇÃO DELITIVA. CONTEMPORANEIDADE. MEDIDAS CAUTELARES ALTERNATIVAS. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.
1. A prisão preventiva exige fundamentação concreta, com base em dados objetivos que indiquem risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal.
2. No caso, embora a quantidade apreendida (21,2 g de cocaína, em 18 porções) não seja exorbitante, a custódia cautelar foi lastreada no risco de reiteração delitiva, evidenciado por novo flagrante após a concessão de liberdade provisória em processo anterior pelo mesmo delito, já com condenação em primeiro grau.
3. A recente alteração da legislação processual (art. 312, § 3º, IV, do CPP, com redação da Lei n. 15.272/2025) autoriza considerar o fundado receio de reiteração delitiva, inclusive à luz de ações penais em curso, como justificativa para a prisão cautelar, disposição inteiramente harmônica com a já consolidada jurisprudência desta Corte Superior.
4. A resistência ativa na abordagem policial, com agressão ao agente estatal, também foi considerada pelas instâncias ordinárias como circunstância apta a justificar a custódia para garantia da ordem pública, ante a periculosidade do agravante.
5. Não se mostram suficientes medidas cautelares alternativas quando presentes fundamentos concretos da preventiva, sendo irrelevantes condições pessoais favoráveis se subsistirem os requisitos da custódia.
6. A contemporaneidade relaciona-se aos motivos da prisão, não ao momento do fato, bastando a persistência de risco atual à ordem pública.
7. Agravo regimental improvido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 01/10/2026 a 08/10/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz, Carlos Pires Brandão e Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do TJDFT) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.