STJAgRg no HC 1.102.683
Estupro de vulnerável: nulidade processual
Relator(a): Carlos Pires Brandão
- Direito Penal
- Processo Penal
- Estupro de vulnerável
- Nulidade processual
- Defesa técnica
- Prejuízo não demonstrado
Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. NULIDADE PROCESSUAL. DEFESA TÉCNICA. TESE DE DESCLASSIFICAÇÃO. PREJUÍZO NÃO DEMONSTRADO. SÚMULA 523/STF. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do habeas corpus impetrado em favor de condenado à pena de 12 anos de reclusão, em regime inicial fechado, pela prática do crime previsto no art. 217-A do CP.
2. O agravante alega a ocorrência de nulidade absoluta por ausência funcional de defesa técnica nas alegações finais e na fase recursal, em razão do abandono da tese de negativa de autoria pelo defensor dativo para pleitear a desclassificação do delito, bem como da falta de impugnação específica aos vetores da dosimetria da pena.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. A questão em discussão consiste em saber se a alteração da linha defensiva pelo defensor dativo, que buscou a desclassificação do crime do art. 217-A do CP para o do art. 215-A do CP em alegações finais, configura ausência ou deficiência de defesa técnica apta a anular a ação penal, sem a demonstração de prejuízo concreto.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. A discordância da atual defesa quanto às teses e estratégias adotadas pelo defensor anterior não configura, por si só, ausência ou deficiência de defesa técnica capaz de eivar de nulidade o processo.
5. Nos termos do art. 563 do CPP e da Súmula 523/STF, a declaração de nulidade no processo penal exige a demonstração de efetivo e concreto prejuízo à defesa.
6. A formulação de pedido de desclassificação para delito menos grave insere-se na autonomia profissional do patrono e na estratégia defensiva, não equivalendo ao abandono da defesa técnica nem justificando o reconhecimento de nulidade sem a comprovação de que a tese absolutória alteraria o resultado do julgamento.
IV. DISPOSITIVO
7. Agravo regimental não provido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 03/09/2026 a 09/09/2026, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Carlos Pires Brandão. Os Srs. Ministros Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do TJDFT), Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior e Rogerio Schietti Cruz votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.