STJAgRg no HC 1.083.442
Tráfico de drogas: pretensão desclassificatória para o art. 28 da lei 11.343/2006
Relator(a): Nilsoni de Freitas (desembargadora Convocada do Tjdft)
- Processo Penal
- Direito Penal
- Tráfico de drogas
- Pretensão desclassificatória para o art. 28 da lei 11.343/2006
- Regime inicial fechado
- Reincidência
- Inviabilidade de revolvimento fático-probatório
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PRETENSÃO DESCLASSIFICATÓRIA PARA O ART. 28 DA LEI 11.343/2006. REGIME INICIAL FECHADO. REINCIDÊNCIA. INVIABILIDADE DE REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. AGRAVO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental contra decisão monocrática que indeferiu liminarmente habeas corpus, no qual se sustenta constrangimento ilegal decorrente: (i) da necessidade de desclassificação do crime do art. 33 da Lei n. 11.343/2006 para o art. 28 da mesma lei; e (ii) da fixação do regime inicial fechado sem fundamentação concreta, com alegação de inovação indevida em embargos e de bis in idem na valoração da reincidência. Condenação a 6 anos e 8 meses de reclusão, em regime inicial fechado, pelo art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006.
II. Questão em discussão
2. Há três questões em discussão: (i) saber se a desclassificação do delito de tráfico para porte para consumo pessoal pode ser examinada na via estreita do habeas corpus, diante da necessidade de revolvimento do conjunto fático-probatório; (ii) saber se há ilegalidade na fixação do regime inicial fechado por ausência de motivação concreta e por suposta complementação posterior de fundamentos em embargos; e (iii) saber se a utilização da reincidência para justificar o regime mais gravoso configura bis in idem.
III. Razões de decidir
3. O habeas corpus não se presta como sucedâneo de recurso próprio ou de revisão criminal, salvo ilegalidade flagrante (CPP, art. 647-A). A pretensão absolutória ou desclassificatória demanda reexame de fatos e provas, incompatível com a via eleita.
4. As instâncias ordinárias apontaram elementos robustos de autoria e materialidade do delito do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, inclusive em contexto de apreensão em unidade prisional, existência de aquisições anteriores e apreensão de aparelho celular utilizado para aquisição de entorpecentes, além da reincidência, inexistindo ilegalidade flagrante a amparar a ordem.
5. O regime inicial fechado foi mantido com base objetiva na quantidade da pena aplicada e na reincidência, em consonância com o art. 33, § 2º, b, do Código Penal, não havendo inovação indevida nem ausência de fundamentação.
6. Não há bis in idem na consideração da reincidência para a escolha do regime inicial, pois o art. 33, § 2º, b e c, do Código Penal reserva os regimes semiaberto e aberto aos condenados não reincidentes.
7. Inexistente ilegalidade flagrante, afasta-se a concessão da ordem, ainda que de ofício.
IV. Dispositivo
8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 06/08/2026 a 12/08/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz e Carlos Pires Brandão votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.