STJAgRg no RHC 231.240
Estupro de vulnerável: medidas protetivas de urgência
Relator(a): Reynaldo Soares da Fonseca
- Processo Penal
- Direito Penal
- Estupro de vulnerável
- Medidas protetivas de urgência
- Supressão de instância
- Impossibilidade de exame originário de revogação
- Denúncia que atende ao art. 41 do CPP
- Lastro indiciário mínimo
Ementa
PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME ORIGINÁRIO DE REVOGAÇÃO. DENÚNCIA QUE ATENDE AO ART. 41 DO CPP. LASTRO INDICIÁRIO MÍNIMO. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. INVIÁVEL NA VIA ELEITA. AUSÊNCIA DE NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. O agravo regimental não comporta provimento. É inviável o exame originário, por esta Corte, da revogação de medidas protetivas de urgência quando ausente deliberação prévia do Juízo competente, sob pena de supressão de instância.
2. A denúncia descreve fato em tese típico, com indicação de local, data, contexto e referência a testemunha presencial, atendendo ao art. 41 do Código de Processo Penal, e revela lastro mínimo para a persecução penal, afastando, por ora, a inépcia e a ausência de justa causa.
3. O trancamento da ação penal por habeas corpus é medida excepcional e não se admite quando a pretensão defensiva demanda exame aprofundado de elementos informativos, incompatível com a via estreita do writ. "O exame aprofundado das provas e das teses defensivas deve ser realizado na instrução processual, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, sendo incompatível com a via do habeas corpus." (RHC n. 224.034/PE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 20/2/2026).
4. Não há negativa de prestação jurisdicional quando o acórdão enfrenta adequadamente a suficiência formal da denúncia e explicita a inviabilidade de revolvimento probatório em habeas corpus.
5. Agravo regimental não provido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 30/04/2026 a 06/05/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Maria Marluce Caldas votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.