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Jurisprudências

STJAgRg no AREsp 3.214.601

Tráfico de drogas: regime inicial fechado

Relator(a): Ribeiro Dantas

Ementa

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182 DO STJ. TRÁFICO DE DROGAS. REGIME INICIAL FECHADO. MANIFESTA ILEGALIDADE. AGRAVO NÃO CONHECIDO. CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO.

I. CASO EM EXAME

1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do agravo em recurso especial, diante da aplicação da Súmula 284 do STF.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2. A questão em discussão consiste em saber se o agravo regimental pode ser conhecido quando as razões apresentadas não infirmam especificamente os fundamentos da decisão agravada.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3. O agravo regimental reitera as razões contidas no recurso especial, nada aduzindo a respeito do óbice da Súmula 284 do STF.

4. A ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada inviabiliza o conhecimento do agravo, conforme Súmula 182 do STJ.

5. Por outro lado, estabelecida a pena total em 5 anos de reclusão, sendo favoráveis as circunstâncias judiciais e primário o agravante, o regime semiaberto é o cabível para o início do cumprimento da pena privativa de liberdade, a teor do contido no art. 33, § 2º, "b", e § 3º, do Código Penal.

IV. DISPOSITIVO E TESE

6. Agravo regimental não conhecido. Concessão de habeas corpus, de ofício, apenas para fixar o regime semiaberto como o inicial para o cumprimento da pena reclusiva.

Tese de julgamento: 1. A ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada inviabiliza o conhecimento do agravo regimental. 2. É vedado impor regime prisional mais gravoso com base na gravidade abstrata do delito, devendo o regime inicial observar as diretrizes do art. 33 do Código Penal e os enunciados da Súmula 440/STJ e das Súmulas 718 e 719/STF. 3. Tratando-se de pena inferior a 8 anos de reclusão, com circunstâncias judiciais favoráveis e primariedade, o regime semiaberto é o adequado para o início do cumprimento da pena, cabendo sua fixação mediante habeas corpus de ofício, diante de manifesta ilegalidade.

Dispositivos relevantes citados: CP, art. 33, § 2º, "b", e § 3º; STJ, Súmula 182; STF, Súmula 284; STJ, Súmula 440; STF, Súmulas 718 e 719.

Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 2.102.665/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 23/5/2023, DJe de 30/5/2023; STJ, AgRg no AREsp 2.268.882/SP, relator Ministro João Batista Moreira (Desembargador Convocado do TRF1), Quinta Turma, julgado em 22/5/2023, DJe de 26/5/2023; STJ, AgRg no AREsp 2.078.183/MS, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 16/5/2023, DJe de 23/5/2023; STJ, AgRg no AREsp 1.884.946/MS, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 19/9/2023, DJe de 22/9/2023; STJ, AgRg no REsp 1.972.594/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 22/5/2023, DJe de 24/5/2023.

Tese

1. A ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada inviabiliza o conhecimento do agravo regimental. 2. É vedado impor regime prisional mais gravoso com base na gravidade abstrata do delito, devendo o regime inicial observar as diretrizes do art. 33 do Código Penal e os enunciados da Súmula 440/STJ e das Súmulas 718 e 719/STF. 3. Tratando-se de pena inferior a 8 anos de reclusão, com circunstâncias judiciais favoráveis e primariedade, o regime semiaberto é o adequado para o início do cumprimento da pena, cabendo sua fixação mediante habeas corpus de ofício, diante de manifesta ilegalidade.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, não conhecer do agravo regimental, contudo conceder habeas corpus de ofício, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

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