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Jurisprudências

STJAgRg no HC 1.029.547

Coisa julgada: inadequação da via eleita

Relator(a): Carlos Pires Brandão

Ementa

Direito processual penal. Agravo regimental no Habeas corpus. Coisa julgada. Revisão criminal. Inadequação da via eleita. Agravo regimental não provido.

I. Caso em exame

1. Agravo regimental interposto contra decisão que indeferiu liminarmente ordem de habeas corpus. O agravante foi condenado à pena de 7 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão, em regime inicial fechado, e ao pagamento de 777 dias-multa, por infração ao art. 33, caput, c/c art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006.

2. A defesa alegou constrangimento ilegal, sustentando a aplicação da minorante do tráfico privilegiado prevista no art. 33, § 4º, da Lei de Drogas, em sua fração máxima, além de predicados pessoais favoráveis e ausência de demonstração de vínculo com organização criminosa ou dedicação habitual à atividade ilícita. Também questionou a fundamentação para fixação de regime inicial mais gravoso.

3. O habeas corpus foi indeferido liminarmente, e o agravo regimental reiterou os mesmos argumentos da impetração.

II. Questão em discussão

4. A questão em discussão consiste em saber se é possível utilizar o habeas corpus como substitutivo de revisão criminal para revisar condenação transitada em julgado, bem como se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão de habeas corpus de ofício.

III. Razões de decidir

5. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de revisão criminal para revisar condenação transitada em julgado, conforme jurisprudência consolidada do STJ e o disposto no art. 105, I, "e", da Constituição Federal.

6. Não se verifica flagrante ilegalidade no acórdão impugnado que justifique a concessão de habeas corpus de ofício, nos termos do art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal.

7. A análise de alegações de ausência de autoria, desclassificação delitiva e insuficiência probatória exige incursão no acervo fático-probatório, o que encontra óbice nos limites da via estreita do habeas corpus.

8. O habeas corpus não pode ser manejado como um "super recurso" para substituir outros recursos ou revisar decisões já transitadas em julgado.

IV. Dispositivo e tese

9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental não provido.

Tese de julgamento:

1. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de revisão criminal para revisar condenação transitada em julgado.

2. A concessão de habeas corpus de ofício exige a demonstração de flagrante ilegalidade no acórdão impugnado.

3. A via do habeas corpus é inadequada para análise de teses que demandem incursão no acervo fático-probatório.

Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 105, I, "e"; CPP, art. 654, § 2º.

Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 864.588/SP, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, j. 23.09.2024; STJ, AgRg no HC 903.400/RS, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, j. 17.06.2024.

Tese

1. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de revisão criminal para revisar condenação transitada em julgado.

2. A concessão de habeas corpus de ofício exige a demonstração de flagrante ilegalidade no acórdão impugnado.

3. A via do habeas corpus é inadequada para análise de teses que demandem incursão no acervo fático-probatório.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 16/10/2025 a 22/10/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz e Antonio Saldanha Palheiro votaram com o Sr. Ministro Relator.Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior.

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