STJAgRg no HC 1.066.540
Writ manejado como sucedâneo de revisão criminal após o trânsito em julgado
Relator(a): Maria Marluce Caldas
- Processo Penal
- Direito Penal
- Inviabilidade
- Ausência de flagrante ilegalidade
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. WRIT MANEJADO COMO SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO. INVIABILIDADE. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO DESPROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus impetrado em favor de condenado por roubo majorado (art. 157, §§ 2º, II, e 2º-A, I, do Código Penal), ao fundamento de que o writ foi manejado como sucedâneo de revisão criminal, bem como da inexistência de flagrante ilegalidade a ser sanada.
2. O agravante foi condenado à pena de 12 anos e 6 meses de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 282 dias-multa, tendo a condenação transitado em julgado em 23/10/2025, enquanto o habeas corpus foi impetrado em 12/1/2026.
3. No agravo, a defesa sustenta ser admissível o habeas corpus mesmo após o trânsito em julgado, para cessar constrangimento ilegal atual e concreto à liberdade de locomoção, alegando nulidade do reconhecimento fotográfico e ausência de prova autônoma de corroboração, bem como inexistência de preclusão e de supressão de instância, requerendo o provimento do agravo para determinar o regular processamento do habeas corpus.
II. Questão em discussão
4. A questão em discussão consiste em saber se é possível o conhecimento de habeas corpus impetrado após o trânsito em julgado da condenação, quando utilizado como sucedâneo de revisão criminal, sob o argumento de existência de constrangimento ilegal decorrente de nulidade do reconhecimento fotográfico e insuficiência probatória.
III. Razões de decidir
5. O agravo regimental não apresenta fundamentos novos ou relevantes capazes de infirmar os motivos da decisão monocrática, impondo-se a manutenção desta pelos próprios fundamentos.
6. O habeas corpus foi impetrado nesta Corte após o trânsito em julgado do acórdão condenatório, circunstância que, conforme a jurisprudência consolidada, impede a sua utilização como sucedâneo de revisão criminal, cabendo exclusivamente a revisão criminal a ser ajuizada perante o Tribunal de origem, nos termos do art. 621 do Código de Processo Penal.
7. Não se verifica flagrante ilegalidade apta a justificar o afastamento da orientação quanto à inadmissibilidade do habeas corpus substitutivo, tampouco indicação de enquadramento do caso em qualquer das hipóteses taxativas do art. 621 do Código de Processo Penal.
IV. Dispositivo e tese Agravo regimental desprovido.
Tese de julgamento:
1. O habeas corpus não pode ser utilizado como sucedâneo de revisão criminal após o trânsito em julgado da condenação, devendo a parte valer-se exclusivamente da via revisional prevista no art. 621 do Código de Processo Penal.
2. A ausência de flagrante ilegalidade e de enquadramento em quaisquer das hipóteses do art. 621 do Código de Processo Penal impede o conhecimento de habeas corpus impetrado após o trânsito em julgado da condenação.
Tese
1. O habeas corpus não pode ser utilizado como sucedâneo de revisão criminal após o trânsito em julgado da condenação, devendo a parte valer-se exclusivamente da via revisional prevista no art. 621 do Código de Processo Penal.
2. A ausência de flagrante ilegalidade e de enquadramento em quaisquer das hipóteses do art. 621 do Código de Processo Penal impede o conhecimento de habeas corpus impetrado após o trânsito em julgado da condenação.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 30/04/2026 a 06/05/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.