TSTAg-RR 1098-59.2011.5.02.0032
Fase de conhecimento: grupo econômico
- Direito do Trabalho
- Fase de conhecimento
- Grupo econômico
- Responsabilidade solidária
- Reconhecimento
Ementa
AGRAVO INTERNO. RECURSO DE REVISTA. FASE DE CONHECIMENTO. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 2º, §§ 2º e 3º, DA CLT, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 13.467/17 AOS PROCESSOS EM CURSO, AINDA QUE A RELAÇÃO JURÍDICA MATERIAL TENHA OCORRIDO ANTES DA VIGÊNCIA DA REFERIDA LEI. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA. RECONHECIMENTO. I. No caso vertente, discute-se a possibilidade de reconhecimento de grupo econômico por coordenação, nos moldes do art. 2º, §§ 2º e 3º, da CLT. Nesse contexto, esta Turma firmou entendimento, no julgamento do RR-10581-48.2017.5.03.0009, de relatoria do Ministro Cláudio Mascarenhas Brandão, que a referida questão oferece transcendência política. II. Assim, reconhece-se a transcendência política da matéria. III. Acerca do tema, a compreensão fixada por esta Sétima Turma do TST é de que é possível, nos processos em curso, o reconhecimento de grupo econômico por coordenação entre as empresas, mesmo diante da ausência de hierarquia e ainda que a relação jurídica material tenha ocorrido antes da vigência da Lei nº 13.467/2017, desde que se verifique a comunhão de interesses e a atuação conjunta, nos moldes do art. 2º, §§ 2º e 3º, da CLT, com a redação dada pela Lei nº 13.467/2017. IV. Isso porque o art. 2º, § 2º, da CLT, em sua composição anterior, disciplinava apenas uma das modalidades de formação de grupo econômico, o que não impedia sua configuração por outros critérios. Corrobora tal conclusão a aplicação analógica de outras fontes do direito, que admitem a formação do grupo econômico com base na comunhão de interesses, a exemplo do art. 3º, § 2º, da Lei nº 5.889/1973, que, já antes da vigência da Lei nº 13.467/17, estabelecia a responsabilidade solidária do grupo por coordenação no âmbito rural. Dessa forma, não se verifica, in casu, aplicação retroativa do novo regramento insculpido no art. 2º, §§ 2º e 3º, da CLT, uma vez que se trata de alteração legislativa na qual apenas incorporou-se tese já consagrada na jurisprudência, voltada a garantir créditos trabalhistas que ainda serão quitados. V. No caso dos autos, observa-se que a constatação da existência de grupo econômico fundou-se na verificação da relação de coordenação entre as empresas, bem como na comunhão de interesses na consecução de suas atividades econômicas, tendo sido registrado, pelo Tribunal Regional, na análise do conjunto fático-probatório dos autos, que " as rés atuavam no mesmo endereço até a alteração contratual de fls. 136/14 ", bem como que " muito embora tenham as empresas atuação em segmento econômico distintos, não há dúvida sobre a identidade de sócios e o vínculo familiar. Ou seja, as empresas indicadas realmente são coligadas entre si e, embora tenham personalidade jurídica própria, submetem-se à mesma direção e administração ". VI. Ademais, na hipótese vertente, não se cuida de simples presença de sócios em comum, pois o Tribunal Regional constatou a conjugação de interesses das reclamadas e a sua atuação em conjunto. VII. Agravo interno de que se conhece e a que se nega provimento.
Decisão
Acordam os Ministros à unanimidade, conhecer do agravo interno, reconhecer a transcendência política do tema "grupo econômico - configuração - grupo econômico por coordenação - responsabilidade solidária - aplicação do artigo 2º, §§ 2º e 3º, da CLT" e, no mérito, negar provimento ao agravo interno.
Indexação
Grupo Econômico