TSTRR-Ag-AIRR 21555-28.2019.5.04.0404
Horas extras: banco de horas instituído por norma coletiva
Relator(a): Sergio Pinto Martins
- Direito do Trabalho
- Horas extras
- Banco de horas instituído por norma coletiva
- Requisitos de validade
- Banco de Horas
Ementa
I - AGRAVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA - REGÊNCIA PELA LEI Nº 13.467/2017 - HORAS EXTRAS. BANCO DE HORAS INSTITUÍDO POR NORMA COLETIVA. REQUISITOS DE VALIDADE. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA . Constatada possível violação do inciso XXVI do art. 7º da Constituição, impõe-se o provimento do agravo a fim de prover o agravo de instrumento e determinar o processamento do recurso de revista. Agravo a que se dá provimento. II - RECURSO DE REVISTA - REGÊNCIA PELA LEI Nº 13.467/2017 - HORAS EXTRAS. BANCO DE HORAS INSTITUÍDO POR NORMA COLETIVA. REQUISITOS DE VALIDADE. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA . O Regional, interpretando o disposto nos arts. 7º, XXVI, da Constituição e 59, § 2º, da CLT, entendeu pela nulidade do banco de horas, instituído por norma coletiva, em razão da ausência de " reciprocidade e debate democrático " na definição da forma de utilização do saldo do banco de horas. Ao julgar o ARE 1121633/GO, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria e fixou a tese de que " são constitucionais os acordos e as convenções coletivos que, ao considerarem a adequação setorial negociada, pactuam limitações ou afastamentos de direitos trabalhistas, independentemente da explicitação especificada de vantagens compensatórias, desde que respeitados os direitos absolutamente indisponíveis " (Tema 1046). A Suprema Corte reconheceu, portanto, como regra geral, a prevalência do negociado sobre o legislado, em prestígio ao princípio da autonomia coletiva, consagrado no inciso XXVI do art. 7º da Constituição da República. Assim, afasta-se a validade da norma coletiva apenas e tão somente nas situações em que a negociação vilipendie direito indisponível do trabalhador.. Na hipótese dos autos, o direito material postulado não está albergado no rol de direitos indisponíveis do trabalhador, e, portanto, não tem viés constitucional direto, razão pela qual o seu alcance é passível de flexibilização via ajuste coletivo. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá provimento .
Decisão
Acordam os Ministros por maioria, vencida a Exma. Ministra Delaíde Alves Miranda Arantes, I - dar provimento ao agravo a fim de prover o agravo de instrumento para determinar o processamento do recurso de revista e, por unanimidade, II - conhecer do recurso de revista por violação do inciso XXVI do art. 7º da Constituição e, no mérito, dar-lhe provimento para afastar a condenação ao pagamento de horas extras decorrentes do reconhecimento da invalidade do regime de banco de horas, bem como dos respectivos reflexos. Custas inalteradas.
Indexação
Banco de Horas