TSTRO 8104-46.2017.5.15.0000
Responsabilidade subsidiária: tomador de serviços
- Direito Civil
- Direito do Trabalho
- Responsabilidade subsidiária
- Tomador de serviços
- Terceirização
- Contrato de prestação de serviços
- Ente público
Ementa
RECURSO ORDINÁRIO EM AÇÃO RESCISÓRIA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. TOMADOR DE SERVIÇOS. TERCEIRIZAÇÃO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ENTE PÚBLICO. I. O Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento da ADC 16/DF, decidiu que o art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93 é constitucional. Todavia, entendeu que não há impedimento para o reconhecimento da responsabilidade da Administração Pública, desde que comprovada a omissão do tomador de serviços na fiscalização do cumprimento das obrigações trabalhistas pela prestadora em relação a seus empregados. Por sua vez, quando do julgamento do Recurso Extraordinário 760931/DF, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal firmou as seguintes teses sobre a controvérsia em exame: (a) não é possível a transferência automática da responsabilidade do Poder Público pelo inadimplemento dos encargos trabalhistas não quitados pela empresa prestadora dos serviços, sendo necessária a comprovação do nexo de causalidade entre o inadimplemento das obrigações trabalhistas e a conduta negligente dos integrantes da Administração Pública na fiscalização da prestadora de serviços, (b) a eficiência da fiscalização não é fator relevante para a responsabilização da Administração Pública, que se isenta de culpa com a fiscalização ainda que por amostragem, e (c) é do empregado o ônus de provar a conduta culposa da Administração Pública na fiscalização das empresas contratadas na forma da Lei nº 8.666/93. II. No presente caso, na decisão rescindenda, a Corte Regional reconheceu a responsabilidade subsidiária sem que fosse especificamente demonstrado o nexo de causalidade entre o dano ao empregado terceirizado e a conduta negligente do ente público no tocante à fiscalização da empresa prestadora de serviços quanto ao cumprimento das obrigações trabalhistas. Por fim, no julgamento do Tema 1118 de repercussão geral, o STF pacificou sua jurisprudência quanto ao tema, afastando, de forma expressa, a possibilidade de responsabilização do ente público sob o fundamento da inversão e atribuição do ônus da prova ao tomador. Logo, cabe ao trabalhador a comprovação efetiva do comportamento negligente da Administração Pública ou do nexo de causalidade entre o inadimplemento das obrigações trabalhistas e a conduta do ente público. Segundo o entendimento consolidado na Súmula Vinculante nº 10 do STF, "viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta sua incidência, no todo ou em parte". Desse modo, ao transferir automaticamente à Administração Pública a responsabilidade subsidiária, na decisão rescindenda, violou-se a literalidade do artigo 97 da Constituição, pois formulado verdadeiro juízo implícito de inconstitucionalidade do dispositivo da lei de licitações. Sob esse enfoque, impõe-se o conhecimento e o provimento do recurso. Recurso ordinário conhecido e provido.
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade, conhecer do recurso ordinário, e, no mérito, dar-lhe provimento, por violação ao artigo 97 da Constituição Federal, para desconstituir a sentença proferida nos autos da Reclamação Trabalhista nº 0010746-31.2016.5.15.0063, que condenou o Município de Caraguatatuba subsidiariamente, ao pagamento das verbas deferidas, e, em juízo rescisório, julgar improcedente o pleito de reconhecimento da responsabilidade subsidiária do referido ente público formulado na referida reclamação trabalhista, determinando sua exclusão da lide.