STJAgRg no AREsp 3.211.842
Uso documento falso: prévia ciência da falsificação
Relator(a): Rogerio Schietti Cruz
- Direito Penal
- Uso documento falso
- Prévia ciência da falsificação
- Presunção
- Suficiência da prova
- Falsidade ideológica
- Dolo específico
Ementa
PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. USO DOCUMENTO FALSO. PRÉVIA CIÊNCIA DA FALSIFICAÇÃO. PRESUNÇÃO. SUFICIÊNCIA DA PROVA. SÚMULA N. 7 DO STJ. FALSIDADE IDEOLÓGICA. DOLO ESPECÍFICO. SUBSUNÇÃO. SÚMULA N. 284 DO STF. PENA-BASE. ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 282 DO STF. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. A análise da pretendida absolvição, com base na discussão sobre a prévia ciência da falsificação (presunção de dolo), implicaria necessário reexame fático-probatório não permitido em recurso especial, conforme entendimento da Súmula n. 7 do STJ.
2. A Corte de origem consignou, com base nos elementos probatórios, que o réu detinha conhecimento sobre a não contratação do responsável técnico do projeto de edificação indicado perante o corpo de bombeiros cuja assinatura foi falsificada.
3. A discussão sobre a correta subsunção do tipo penal previsto no art. 299 do Código Penal, pois o réu foi condenado pelo uso do documento ideologicamente falsificado. Portanto, não é cabível se perquirir a presença do dolo específico, pois não lhe foi atribuída tal conduta. Nesse ponto, a pretensão é deficiente e justifica a incidência do óbice previsto na Súmula n. 284 do STF.
4. A alegação de erro material na fixação da pena-base não foi submetida à apreciação da Corte antecedente, o que caracteriza a ausência de prequestionamento e atrai a incidência do disposto na Súmula n. 282 do STF.
3. Agravo regimental não provido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Carlos Pires Brandão, Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do TJDFT), Og Fernandes e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator.