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Jurisprudências

TSTAIRR 814-69.2012.5.04.0611

Demanda submetida novamente a eventual juízo de retratação

  • Direito do Trabalho
  • Direito Administrativo
  • Demanda submetida novamente a eventual juízo de retratação
  • Terceirização
  • Administração pública
  • Culpas in eligendo e in vigilando comprovadas
  • " (publicado no DJE em 24/2/25)
  • Ente Público

Ementa

AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO REGIONAL PUBLICADO ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. DEMANDA SUBMETIDA NOVAMENTE A EVENTUAL JUÍZO DE RETRATAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA MANTIDA – CULPAS IN ELIGENDO E IN VIGILANDO COMPROVADAS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO NÃO EXERCIDO . A Vice-Presidência do Tribunal Superior do Trabalho determinou o retorno do presente processo a este Órgão Colegiado, para verificação da necessidade de eventual exercício do juízo de retratação, nos termos do art. 1.030, II, do CPC, em razão do julgamento do Tema nº 1118 do ementário temático de repercussão geral do STF (RE 1.298.647 RG/SP) pela Excelsa Corte. Conforme é consabido, o Supremo Tribunal Federal, ao examinar a ADC-16/DF e o RE-760931/DF ( leading case do Tema nº 246 do Ementário de Repercussão Geral), fixou tese no sentido de que a mera inadimplência da empresa contratada não transfere ao ente público tomador de serviços, automaticamente, a responsabilidade pelo pagamento dos encargos trabalhistas e fiscais, fazendo-se necessário aferir, em cada caso concreto, a eventual ocorrência de culpa da Administração Pública. Por ocasião dos referidos julgamentos, o Supremo Tribunal Federal não firmou tese explícita a respeito da distribuição do ônus da prova, o que constitui objeto do Tema nº 1.118. Ato seguinte, no recente julgamento do aludido Tema nº 1.118 do ementário temático de repercussão geral, a Suprema Corte, por maioria, firmou a seguinte tese jurídica: " 1. Não há responsabilidade subsidiária da Administração Pública por encargos trabalhistas gerados pelo inadimplemento de empresa prestadora de serviços contratada, se amparada exclusivamente na premissa da inversão do ônus da prova, remanescendo imprescindível a comprovação, pela parte autora, da efetiva existência de comportamento negligente ou nexo de causalidade entre o dano por ela invocado e a conduta comissiva ou omissiva do poder público. " (publicado no DJE em 24/2/25). Ocorre que, na hipótese dos autos, a responsabilidade subsidiária do ente público não foi reconhecida de forma automática, em razão do mero inadimplemento das verbas trabalhistas, tampouco está amparada na premissa da inversão do ônus da prova. Observe-se que no caso em tela a responsabilidade subsidiária foi atribuída ao ente público sob o fundamento de que restou demonstrada a configuração das culpas in eligendo e in vigilando . Tanto assim que constou do acórdão regional, em relação à culpa in eligendo , que " a prova dos autos demonstra que os descumprimentos do contrato são contemporâneos ao próprio início formal do contrato ou, até mesmo, anteriores a ele (na vigência de um aparente contrato emergencial) e que, portanto, houve demora na tomada de providências" e que "os descumprimentos das obrigações por parte da primeira reclamada advinham ainda de contrato anterior àquele de nº 370/2001, qual seja, o contrato nº 363/2001. Ou seja, houve a recontratação de uma empresa que já não vinha cumprindo com suas obrigações com relação aos seus empregados". Registrou, ainda, a Corte Regional, em relação à culpa in vigilando, que "no caso, a recorrente não foi diligente quanto ao dever de fiscalizar a prestação de serviços da autora, não havendo como afastar a responsabilidade subsidiária pelas parcelas da condenação ". Note-se, portanto, que, na hipótese dos autos, a Corte Regional foi expressa no sentido de que restou demonstrada tanto a culpa in eligendo quanto a culpa in vigilando do ente público. Desse modo, não há como se afastar a responsabilidade subsidiária do ente público reclamado. Assim, não há retratação a ser feita nos moldes do inciso II do art. 1.030 do CPC/2015, mantendo-se os termos do acórdão turmário recorrido, ainda que por fundamento diverso. Ato seguinte, os autos devem retornar à Vice-Presidência desta Corte para prosseguimento do feito, como entender de direito. Agravo de instrumento não provido. Juízo de retratação não exercido.

Decisão

Acordam os Ministros por unanimidade, não exercer o juízo de retratação previsto no inciso II do art. 1.030 do CPC/15, de modo a manter os termos do acórdão turmário que negou provimento ao agravo de instrumento pelo ente público e, por consequência, determinar o retorno dos autos à Vice-Presidência do TST para que prossiga no julgamento do feito, como entender de direito.

Indexação

Ente Público

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