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Jurisprudências

TSTRR 917-72.2017.5.06.0182

Tempo à disposição do empregador: troca de uniforme

  • Direito Civil
  • Direito do Trabalho
  • Tempo à disposição do empregador
  • Troca de uniforme
  • Contrato de trabalhado anterior à vigência da lei nº 13.467/2017
  • Nesse sentido, a Súmula 366 do TST
  • Turno ininterrupto de revezamento
  • Elastecimento

Ementa

I - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. TEMPO À DISPOSIÇÃO DO EMPREGADOR. TROCA DE UNIFORME. CONTRATO DE TRABALHADO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. Vislumbrada potencial contrariedade à Súmula 366 do TST, processa-se o recurso de revista, quanto ao tema. Agravo de instrumento conhecido e provido. II - RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI 13.467/2017. 1 - TEMPO À DISPOSIÇÃO DO EMPREGADOR. TROCA DE UNIFORME. CONTRATO DE TRABALHADO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA RECONHECIDA. 1.1. Discute-se a condenação da reclamada ao pagamento dos minutos residuais, em que o reclamante esteve nas dependências da empresa em período anterior à vigência da Lei 13.467/2017. 1.2. Ao interpretar o art. 4º da CLT (redação vigente à época dos fatos), esta Corte Superior firmou o entendimento de que configura como à disposição do empregador o tempo despendido pelo empregado ao longo do tempo residual, não importando as atividades desenvolvidas pelo empregado, desde que ultrapassado o limite de dez minutos diários. Nesse sentido, a Súmula 366 do TST. 1.3. No que se refere aos minutos residuais, compreende-se na jornada de trabalho todo o tempo em que o empregado estiver cumprindo ordens do empregador (art. 4º da CLT). Com efeito, os minutos que antecedem e sucedem a jornada de trabalho devem ser caracterizados como tempo à disposição, e assim, acrescidos à jornada de trabalho, observado o limite de tolerância estabelecido no art. 58, § 1º, da CLT e na Súmula 366 do TST. Recurso de revista conhecido e provido. 2 - TURNO ININTERRUPTO DE REVEZAMENTO. ELASTECIMENTO. NORMA COLETIVA. TEMA 1.046 DA TABELA DE REPERCUSSÃO GERAL DO STF. TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA RECONHECIDA . 2.1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 1.121.633-GO, com repercussão geral reconhecida (Tema 1.046) fixou a seguinte tese: "São constitucionais os acordos e as convenções coletivos que, ao considerarem a adequação setorial negociada, pactuam limitações ou afastamentos de direitos trabalhistas, independentemente da explicitação especificada de vantagens compensatórias, desde que respeitados os direitos absolutamente indisponíveis" (DJe de 28.4.2023). 2.2. No caso dos autos, o Tribunal Regional decidiu que é válida a negociação coletiva pactuada (fls. 863-864), em turnos ininterruptos de revezamento. Pois bem, a jornada especial de turnos ininterruptos de revezamento não está limitada ao máximo de oito horas, porquanto a autonomia negocial coletiva, com esteio constitucional (art. 7º, XXVI, da CF), permite a flexibilização de normas com autorização expressa no rol de direitos sociais fundamentais, as quais não estejam revestidas de indisponibilidade absoluta. Precedentes. Recurso de revista não conhecido.

Decisão

Acordam os Ministros por unanimidade, a) conhecer e dar provimento ao agravo de instrumento do reclamante quanto ao tema "Tempo à Disposição"; b) conhecer do recurso de revista quanto ao tema "Tempo à disposição" e, no mérito, dar-lhe provimento para acrescer à condenação o pagamento, como extras, dos minutos que antecedem o início da jornada de trabalho, desde que excedam 10 minutos diários, conforme se apurar em sede de liquidação de sentença; c) não conhecer do recurso de revista quanto ao tema "Turno Ininterrupto de Revezamento".

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