TSTRRAg 10386-65.2019.5.03.0018
Adicional de periculosidade dos eletricitários: alteração de base de cálculo por norma coletiva
- Direito do Trabalho
- Adicional de periculosidade dos eletricitários
- Alteração de base de cálculo por norma coletiva
- Validade
- Assistência judiciária gratuita
- Declaração de insuficiência econômica
- Pessoa física
Ementa
I - AGRAVO DE INSTRUMENTO DO RECLAMANTE. LEI Nº 13.467/2017. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE DOS ELETRICITÁRIOS. ALTERAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO POR NORMA COLETIVA. DIREITO DISPONÍVEL. TEMA 1046. VALIDADE. NÃO PROVIMENTO. 1. Considerando a existência de decisão proferida pelo STF acerca da matéria, em caráter vinculante, nos termos do artigo 927 do CPC, deve ser reconhecida a transcendência da causa . 2. Cinge-se a controvérsia em saber se a norma coletiva que reduziu a base de cálculo doadicional de periculosidadedos eletricitários da CEMIG para incidir sobre o salário básico deve ser considerada válida à luz da decisão proferida no julgamento do Tema 1046 da Tabela de Repercussão Geral do STF. 3. O entendimento firmado pelo excelso Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário com Agravo 1.121.633 que, em regime de repercussão geral (Tema 1046), fixou tese jurídica de que as normas coletivas que limitam ou afastam direitos trabalhistas são plenamente válidas, independentemente do estabelecimento de vantagens compensatórias, desde que respeitados direitos absolutamente indisponíveis. 4. Verifica-se que, de acordo com a Corte Suprema, a prevalência dos instrumentos coletivos não ocorre em termos absolutos, ante a necessidade de observância das balizas constitucionais, em que são assegurados os direitos indisponíveis do trabalhador. 5. Conquanto o adicional de periculosidade seja direito de indisponibilidade absoluta, o mesmo não pode ser afirmado em relação à sua base de cálculo, na medida em que a Constituição Federal, em seu artigo 7º, XXIII, atribui à legislação ordinária a regulamentação da matéria. 6. Na hipótese , o Tribunal Regional registrou que a norma coletiva da CEMIG que prevê o pagamento do adicional de periculosidade sobre o salário base deve ser considerada válida. 7. Ao aplicar a norma coletiva que dispõe acerca de direito disponível , a Corte Regional proferiu decisão em sintonia com a tese fixada pelo excelso Supremo Tribunal Federal no Tema 1046 da Tabela de Repercussão Geral. Agravo de instrumento a que se nega provimento. II - RECURSO DE REVISTA DO RECLAMANTE. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. DECLARAÇÃO DE INSUFICIÊNCIA ECONÔMICA. PESSOA FÍSICA. PROVIMENTO. 1. Considerando a existência de questão nova em torno da interpretação da legislação trabalhista, quanto à aplicabilidade dos §§ 3º e 4º do artigo 790 da CLT, com a redação dada pela Lei nº 13.467/2017, verifica-se atranscendência jurídica, nos termos do artigo 896-A, § 1º, IV, da CLT. 2. A SBDI-1, em sessão de julgamento realizada em 08/09/2022, ao apreciar a controvérsia, firmou entendimento no sentido de que a declaração de hipossuficiência econômica apresentada pela parte, mesmo após as alterações promovidas pela Lei 13.467/2017, é suficiente para o fim de comprovar a incapacidade de suportar o pagamento das despesas do processo, bem como para a concessão da assistência judiciária gratuita , nos termos da Súmula nº 463, I. 3. No caso , o Tribunal Regional, ao excluir os benefícios dajustiça gratuita, por entender que não basta a mera declaração de hipossuficiência econômica da parte, podendo esta ser infirmada por prova em contrário, contrariou o entendimento consolidado na Súmula nº 463, I e a jurisprudência desta Corte Superior, dificultando o pleno acesso do trabalhador ao Poder Judiciário. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá provimento.
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade, I - reconhecer a transcendência da causa; II - negar provimento ao agravo de instrumento; III - por unanimidade, conhecer do recurso de revista no tema ' JUSTIÇA GRATUITA' por violação do artigo 5º, LXXIV, da Constituição Federal, e, no mérito, dar-lhe provimento para conceder o benefício dajustiça gratuitaao reclamante, o que implica a isenção do pagamento das custas processuais e a suspensão da exigibilidade do pagamento de honorários advocatícios de sucumbência, na forma do artigo 791-A, § 4º, da CLT, afastada a possibilidade de o valor dos honorários de sucumbência ser abatido do crédito recebido pelo reclamante, ainda que em outro processo, em observância à decisão vinculante do STF na ADI 5766.
Indexação
Assistência Judiciária Gratuita; Base de Cálculo