TSTAg-AIRR 10820-97.2017.5.03.0091
Adicional noturno: prorrogação
- Direito do Trabalho
- Adicional noturno
- Prorrogação
- Óbice do art. 896, "b", da CLT
- Divergência jurisprudencial não demonstrada
- Inaplicabilidade
Ementa
DIREITO DO TRABALHO. AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. ADICIONAL NOTURNO. PRORROGAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RESTRIÇÃO, ATRAVÉS DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA, DO PAGAMENTO AO PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE ÀS 22:00H E ÀS 5:00H, EM CONTRAPARTIDA A PAGAMENTO DE PERCENTUAL SUPERIOR AO PREVISTO EM LEI. CONTROVÉRSIA DIRIMIDA PELO TRIBUNAL REGIONAL A PARTIR DA INTERPRETAÇÃO DA NORMA COLETIVA. ÓBICE DO ART. 896, "B", DA CLT. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. TEMA 1046 DA TABELA DE REPERCUSSÃO GERAL DO STF. INAPLICABILIDADE. TRANSCENDÊNCIA PREJUDICADA. 1. Agravo interno interposto em face de decisão monocrática que negou seguimento ao agravo de instrumento interposto pela ré. 2. Cinge-se a controvérsia em saber se é devida a incidência do adicional noturno sobre as horas prorrogadas além das 5 da manhã, quando estabelecida por norma coletiva a fixação da hora noturna de 22 às 5 horas. 3. Na hipótese, o Tribunal Regional consignou que " a norma coletiva estabeleceu adicional noturno em percentual superior ao legal expressamente afastando a adoção da hora ficta noturna, mas nada tratando sobre a incidência do adicional noturno sobre as horas trabalhadas após as 05h00, em prorrogação do horário noturno (v.g. cláusula nona, ID 3fd8373) ". Pontuou que " é incontroverso que não houve o pagamento do adicional em relação às horas prorrogadas (após as 05h00), sendo devido o pagamento do adicional noturno, nos termos da Súmula 60, II, do TST ". 4. A questão debatida, portanto, não gravita no âmbito do descumprimento ou invalidação da norma coletiva (Tema 1.046), mas de sua interpretação, pois a tese da recorrente é no sentido de que a cláusula do acordo coletivo permitiria o não pagamento das horas prorrogadas do horário noturno. 5. Nesse sentido, o acórdão regional, nos termos em que prolatado, não viola de forma literal e direta o art. 7º, XXVI, da CF, uma vez que não houve decretação de invalidade da norma coletiva. Trata-se, portanto, de controvérsia resolvida a partir da interpretação dada pelo Tribunal Regional, somente questionável mediante a apresentação de tese oposta específica, que, no caso, não restou demonstrada, nos termos do art. 896, b, da CLT. Agravo a que se nega provimento.
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade, conhecer do agravo e, no mérito, negar-lhe provimento.