STJAgRg no AREsp 3.304.350
Roubo qualificado: inviabilidade
Relator(a): Ribeiro Dantas
- Direito Penal
- Roubo qualificado
- Inviabilidade
Ementa
DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ROUBO QUALIFICADO. PEDIDO DE CONDENAÇÃO. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INVIABILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto pelo Ministério Público contra decisão que não conheceu do recurso especial.
2. A parte agravante pleiteia o conhecimento do recurso, com a consequente condenação da ré pelo crime de roubo qualificado, e alega que tal pleito demandaria apenas revaloração da prova, não incidindo a Súmula 7 do STJ.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. A questão em discussão consiste em saber se a condenação da ré pode ser realizada sem reexame de provas, apenas com a revaloração jurídica dos fatos.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. As instâncias ordinárias concluíram pela ausência de prova segura de autoria, assentando que a prova testemunhal, somada aos demais elementos, não permite superar a dúvida razoável.
5. O direito penal não pode se contentar com suposições ou conjecturas, de modo que o decreto condenatório deve estar amparado em prova robusta e harmônica, inexistente no caso em exame. O art. 386, VII, do Código de Processo Penal estabelece que o juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que não exista prova suficiente para a condenação, exatamente a hipótese reconhecida pelas instâncias ordinárias.
6. A revisão do entendimento implicaria em revolvimento fático-probatório, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ.
IV. DISPOSITIVO E TESE
7. Agravo regimental improvido.
Tese de julgamento: "1. Estando a conclusão das instâncias ordinárias embasada em provas idôneas, é inviável superá-la em sede de recurso especial. 2. A condenação dos réus demanda reexame de provas, vedado pela Súmula 7 do STJ. 3. O direito penal não pode se contentar com suposições ou conjecturas, de modo que o decreto condenatório deve estar amparado em prova robusta e harmônica".
Dispositivos relevantes citados: Lei 11.343/2006, Súmula 7/STJ.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp n. 2.464.490/MG, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 27/8/2024, DJe de 30/8/2024.
Tese
"1. Estando a conclusão das instâncias ordinárias embasada em provas idôneas, é inviável superá-la em sede de recurso especial. 2. A condenação dos réus demanda reexame de provas, vedado pela Súmula 7 do STJ. 3. O direito penal não pode se contentar com suposições ou conjecturas, de modo que o decreto condenatório deve estar amparado em prova robusta e harmônica".
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.