TSTAIRR 0101399-93.2023.5.01.0202
Administração pública: terceirização
Relator(a): ALEXANDRE DE SOUZA AGRA BELMONTE
- Direito do Trabalho
- Direito Administrativo
- Administração pública
- Terceirização
- Contratação de cooperativa fraudulenta
- Culpa configurada
Ementa
AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. TERCEIRIZAÇÃO. CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVA FRAUDULENTA. CULPA CONFIGURADA . TEMA 1118 DA TABELA DE REPERCUSSÃO GERAL DO STF . TRANSCENDÊNCIA RECONHECIDA . 1. O Supremo Tribunal Regional, no julgamento da ADC 16 e do Tema 246 da Repercussão Geral, decidiu sobre a impossibilidade de se imputar responsabilidade subsidiária da administração pública sem que haja efetiva comprovação da culpa in vigilando . 2. Posteriormente, ao julgar o Tema 1118 da Repercussão Geral (RE nº 1.298.647), fixou tese vinculante no sentido de que: "1. Não há responsabilidade subsidiária da Administração Pública por encargos trabalhistas gerados pelo inadimplemento de empresa prestadora de serviços contratada, se amparada exclusivamente na premissa da inversão do ônus da prova, remanescendo imprescindível a comprovação, pela parte autora, da efetiva existência de comportamento negligente ou nexo de causalidade entre o dano por ela invocado e a conduta comissiva ou omissiva do poder público". 3. Na hipótese dos autos , a Corte Regional manteve a responsabilidade subsidiária do Município após evidenciar, com base na valoração da prova, que houve contratação de cooperativa fraudulenta, fato que, inclusive, ensejou o reconhecimento do vínculo de emprego com a cooperativa. Registrou que " foi constituída falsa cooperativa, que intermediava mão-de-obra " e, diante disso, " o segundo réu - ente público, é responsável subsidiário por tais obrigações pecuniárias, uma vez que foi reconhecida a ilicitude na contratação do trabalhador, como cooperativado, cuja força de trabalho reverteu em prol do município réu e sua responsabilização é medida que se impõe visto que compete à Administração Pública, como tomadora de serviços e como requisito prévio à liberação de pagamentos à prestadora, fiscalizar o regular cumprimento do contrato pela mesma, o que envolve, por óbvio, a verificação dos princípios que devem reger o cooperativismo, o que não foi comprovado nos autos, o que demonstra a culpa in eligendo e in vigilando do ente público ". 4. Diante desse contexto, em que fora evidenciada a conduta culposa do município, decorrente da contratação de cooperativa fraudulenta, impõe-se manter a responsabilidade subsidiária que lhe fora imputada, conforme jurisprudência desta Corte. Precedentes do Órgão Especial e de Turmas desta Corte. Agravo conhecido e desprovido.
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade, conhecer e negar provimento ao agravo de instrumento.