TSTAg-AIRR 1001575-56.2016.5.02.0043
Horas extras: trabalho externo
Relator(a): MARIA HELENA MALLMANN
- Direito do Trabalho
- Horas extras
- Trabalho externo
Ementa
AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. HORAS EXTRAS. TRABALHO EXTERNO. O item I da Súmula 338 do TST estabelece que "é ônus do empregador que conta com mais de 10 (dez) empregados o registro da jornada de trabalho na forma do art. 74, § 2º, da CLT. A não apresentação injustificada dos controles de frequência gera presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho, a qual pode ser elidida por prova em contrário". O Tribunal Regional registrou que cabia à reclamada o ônus da prova, quanto à realização de trabalho externo, incompatível com a fixação e controle da jornada, sendo que desse encargo não se desvencilhou. Registrou ainda que: "Com relação à fixação da jornada, a testemunha ouvida por parte do autor confirmou, em parte, a jornada indicada à inicial, pelo que correta a r. sentença ao fixar, com base nos elementos de prova presentes, a jornada: a) no período em que trabalhou como Consultor (de outubro de 2014 a janeiro de 2016), de segunda a sexta das 9h às 22h e, aos sábados, das 9h às 15h, com apenas 40 (quarenta) minutos de intervalo para refeição e descanso; b) como Supervisor (de fevereiro a junho de 2016), de segunda a sexta das 9h às 23h e, aos sábados, das 9h às 15h, com apenas 40 (quarenta) minutos de intervalo para refeição e descanso". No presente caso, atendendo aos fatos e às circunstâncias constantes dos autos, o Tribunal Regional verificou que, conquanto realizasse trabalho externo, haveria a possibilidade de a Reclamada proceder ao controle e à fiscalização de sua jornada, não sendo o caso de aplicação da excludente da duração de trabalho prevista no art. 62, I, da CLT. Assim, não há como afastar a condenação em horas extras sem o reexame do contexto fático-probatório, o que é vedado nesta instância recursal pela Súmula 126 desta Corte. A jurisprudência do TST, interpretando o disposto no artigo 62, I, da CLT, fixou entendimento no sentido de que basta a possibilidade de controlar a jornada do trabalhador externo para que sejam reconhecidas horas extras decorrentes da extensão da jornada, caso dos autos. Precedente. Agravo não provido.
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade, negar provimento ao agravo. Brasília, 28 de outubro de 2025. MARIA HELENA MALLMANN Ministra Relatora