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Jurisprudências

TSTRR 677-34.2015.5.03.0054

A) agravo de instrumento em recurso de revista interposto pela reclamada na vigência da lei nº 13.467/2017

  • Processo Civil
  • Direito do Trabalho
  • Norma coletiva
  • Controle de ponto por exceção
  • Horas in itinere
  • Adicional noturno
  • Incólumes os dispositivos indicados como violados
  • Prorrogação em horário diurno

Ementa

A) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA RECLAMADA NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. 1. NORMA COLETIVA. CONTROLE DE PONTO POR EXCEÇÃO. APLICAÇÃO DO TEMA 1.046 DE REPERCUSSÃO GERAL DO STF. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA. Ante possível violação do artigo 7º, XXVI, da Constituição Federal, impõe-se o provimento do agravo de instrumento para determinar o processamento do recurso de revista. Agravo de instrumento conhecido e provido. 2. HORAS IN ITINERE. INCOMPATIBILIDADE DE TRANSPORTE PÚBLICO NOS DIAS EM QUE A JORNADA DE TRABALHO DO AUTOR INICIAVA OU TERMINAVA À 00H00. TRANSCENDÊNCIA NÃO RECONHECIDA. Segundo o quadro fático trazido pelo Tribunal Regional, a reclamada não comprovou a existência de transporte público nos dias em que a jornada de trabalho do autor iniciava ou terminava à 00h00, sendo incontroverso o fornecimento de condução pela empregadora. Dessa forma, a decisão da Corte de origem está em harmonia com os itens I e II da Súmula nº 90 do TST. Agravo de instrumento conhecido e não provido. 3. OFENSA A COISA JULGADA. ADICIONAL NOTURNO. TRANSCENDÊNCIA NÃO RECONHECIDA. Na hipótese em comento, o trâmite do processo havia sido suspenso por tratar do mesmo objeto de incidente de uniformização jurisprudencial do Tribunal Regional de origem. Julgado este, o Colegiado da Corte a quo alterou o entendimento anterior, sem, com isso, ofender a coisa julgada, até porque, sequer havia trânsito em julgado. Incólumes os dispositivos indicados como violados. Agravo de instrumento conhecido e não provido. 4. ADICIONAL NOTURNO. PRORROGAÇÃO EM HORÁRIO DIURNO. NORMA COLETIVA. TEMA 1.046 DA TABELA DE REPERCUSSÃO GERAL DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA. Em face de possível violação do art. 7º, XXVI, da Constituição Federal, impõe-se o provimento do agravo de instrumento para determinar o processamento do recurso de revista. Agravo conhecido e provido. B) RECURSO DE REVISTA. 1. NORMA COLETIVA. CONTROLE DE PONTO POR EXCEÇÃO. APLICAÇÃO DO TEMA 1.046 DE REPERCUSSÃO GERAL DO STF. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, em sessão realizada em 2/6/2022, apreciou o Tema 1.046 do ementário de repercussão geral e deu provimento ao recurso extraordinário (ARE 1.121.633) para fixar a seguinte tese: " São constitucionais os acordos e as convenções coletivos que, ao considerarem a adequação setorial negociada, pactuam limitações ou afastamentos de direitos trabalhistas, independentemente da explicitação especificada de vantagens compensatórias, desde que respeitados os direitos absolutamente indisponíveis ". Frise-se, também, que em acórdão publicado no dia 18/4/2024, no RE 1.476.596, o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, entendeu que a extrapolação da jornada fixada em norma coletiva não acarreta sua invalidade, devendo-se aplicar, mesmo nesse caso, o entendimento firmado no Tema 1.046 de Repercussão Geral. Na presente hipótese, o Tribunal Regional, ao decidir pela invalidade de cláusula de acordo coletivo que institui o controle de ponto por exceção, direito que atende aos parâmetros do precedente vinculante do STF, deferindo pagamento das horas laboradas além da 6ª diária como extraordinárias, violou o art. 7º, XXVI, da Constituição Federal e contrariou a tese vinculante firmada no Tema 1.046 da Tabela de Repercussão Geral do STF. Recurso de revista conhecido e provido. 2. ADICIONAL NOTURNO. PRORROGAÇÃO EM HORÁRIO DIURNO. NORMA COLETIVA. TEMA 1.046 DA TABELA DE REPERCUSSÃO GERAL DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA. 1. O Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária realizada em 2/6/2022, no julgamento do ARE nº 1.121.633, fixou a tese de repercussão geral, relativa ao Tema 1.046 (" Validade da norma coletiva de trabalho que limita ou restringe direito trabalhista não assegurado constitucionalmente "), de que " são constitucionais os acordos e as convenções coletivas que, ao considerarem a adequação setorial negociada, pactuam limitações ou afastamentos de direitos trabalhistas independentemente da explicitação especificada de vantagens compensatórias, desde que respeitados os direitos absolutamente indisponíveis ". 2. Segundo o entendimento da Suprema Corte, o Constituinte valorizou os acordos e as convenções coletivas de trabalho, de forma enfática, reconhecendo-os, no art. 7º, XXVI, como direito fundamental dos trabalhadores e elevando-os a instrumentos essenciais da relação trabalhista, estabelecendo, contudo, uma margem de atuação para a livre negociação entre empregados e empregadores, de forma a se conceder certa flexibilidade ao acordado, mas garantindo, ao mesmo tempo, direitos considerados essenciais (incisos VI, XIII e XIV do art. 7º). 3. Portanto, a partir do julgamento, pelo STF, do ARE 1.121.633, processo paradigma do Tema 1.046 de repercussão geral, a regra geral é a da validade das normas coletivas, ainda que pactuem limitações ou afastamentos de direitos trabalhistas, desde que os temas pactuados não sejam absolutamente indisponíveis. In casu, o direito material postulado – pagamento do adicional noturno com prorrogação em horário diurno – não diz respeito a direito indisponível do trabalhador, de forma que é passível a sua flexibilização. 4. Desse modo, a decisão regional que não reconheceu a validade da norma coletiva que prevê a limitação do pagamento do adicional noturno, diverge da tese firmada pelo STF em sede de repercussão geral (Tema 1.046) e ofende o art. 7º, XXVI, da CF. Recurso de revista conhecido e provido.

Decisão

Acordam os Ministros por unanimidade: a) conhecer do agravo de instrumento e, no mérito, dar-lhe provimento, para determinar o processamento do recurso de revista; b) conhecer do recurso de revista quanto ao tema "Norma Coletiva. Controle de ponto por exceção. Aplicação do Tema 1046 do Tema de Repercussão Geral do STF", por violação do art. 7º, XXVI, da Constituição Federal", e, no mérito, dar-lhe provimento para, reconhecendo a validade do instrumento coletivo que estipulou o regime de registro de ponto "por exceção", excluir da condenação o pagamento de horas extraordinárias decorrentes da invalidação deste; e conhecer do recurso de revista quanto ao tema "adicional noturno", por violação do art. 7º, XXVI, da CF, e, no mérito, dar-lhe provimento para, reformando a decisão regional, reconhecer a validade da norma coletiva e restabelecer a sentença no tópico em que julgou improcedente o pedido de diferenças de adicional noturno pela prorrogação da jornada em período diurno. Fica restabelecido o valor da condenação arbitrado na sentença (fl. 858). Não são devidos honorários sucumbenciais em favor do patrono da parte reclamada, ante o ajuizamento da ação anteriormente a 11/11/2017 (tema 3, item 7, IRR-341-06.2013.5.04.0011 - TST).

Indexação

Horas in Itinere; Coisa Julgada; Transcendência; Prorrogação do Horário Noturno; Contagem de Minutos Residuais

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