TSTRRAg 773-07.2018.5.06.0007
Honorários advocatícios de sucumbência: beneficiário da justiça gratuita
- Direito Constitucional
- Processo Civil
- Direito do Trabalho
- Honorários advocatícios de sucumbência
- Beneficiário da justiça gratuita
- STF, publicado em 3/5/2022, sobre legislação trabalhista
- Ao julgar a ADI nº 5.766, o E
- TRT contrariou a decisão vinculante do E
- STF na ADI nº 5.766
Ementa
I - RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 13.467/2017 - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA - BENEFICIÁRIO DA JUSTIÇA GRATUITA - TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA 1. Trata-se de questão nova acerca da aplicação de precedente vinculante do E. STF, publicado em 3/5/2022, sobre legislação trabalhista. Está presente, portanto, a transcendência jurídica, nos termos do artigo 896-A, § 1º, inciso IV, da CLT. 2. Ao julgar a ADI nº 5.766, o E. Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da expressão " desde que não tenha obtido em juízo, ainda que em outro processo, créditos capazes de suportar a despesa ", constante do § 4º do artigo 791-A da CLT. 3. A declaração parcial de inconstitucionalidade decorreu do entendimento de que, para se exigir o pagamento de honorários advocatícios de sucumbência da parte que recebeu o benefício da justiça gratuita, deve-se provar que houve modificação de sua situação econômica, demonstrando-se que adquiriu capacidade de arcar com as despesas do processo. O E. STF considerou que o mero fato de alguém ser vencedor em pleito judicial não é prova suficiente de que passou a ter condições de arcar com as despesas respectivas. 4. Preservou-se, assim, a parte final do dispositivo, remanescendo a possibilidade de condenação do beneficiário de justiça gratuita ao pagamento de honorários de sucumbência, com suspensão da exigibilidade do crédito, que poderá ser executado se, no período de 2 (dois) anos, provar-se o afastamento da hipossuficiência econômica. 5. Ao determinar a condenação do Reclamante, beneficiário da justiça gratuita, ao pagamento dos honorários de sucumbência por meio de créditos auferidos nesta ação, sem que haja prova da mudança de sua condição de miserabilidade e sem a suspensão de exigibilidade prevista na parte final do § 4º do artigo 791-A da CLT, o Eg. TRT contrariou a decisão vinculante do E. STF na ADI nº 5.766. Recurso de Revista conhecido e parcialmente provido. II - AGRAVO DE INSTRUMENTO INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 13.467/2017 - PRELIMINAR DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 896-A DA CLT Em sessão plenária realizada em 6/11/2020, o Eg. TST declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do artigo 896-A, § 5º, da CLT, com o intuito de afastar a irrecorribilidade de decisão monocrática que aplica o óbice da transcendência em Agravo de Instrumento em Recurso de Revista. Todavia, o caput e os demais parágrafos do artigo 896-A da CLT permanecem em vigor e produzindo efeitos. A questão já foi objeto de exame preliminar pelo E. STF na ADI nº 2.527, ocasião em que não restou constatada a inconstitucionalidade do dispositivo. Agravo de Instrumento a que se nega provimento.
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade, I - conhecer do Recurso de Revista, por violação ao artigo 5º, inciso LXXIV, da Constituição da República, e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para restabelecer a sentença, no ponto; e II - negar provimento ao Agravo de Instrumento.