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Jurisprudências

TSTARR 203-17.2016.5.09.0004

Promoção por merecimento: ônus da prova

  • Direito do Trabalho
  • Promoção por merecimento
  • Ônus da prova
  • Nulidade processual por negativa de prestação jurisdicional
  • Banco de horas
  • Ausência de previsão em norma coletiva
  • Inteligência da Súmula nº 296, item I, do TST

Ementa

I - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELO RECLAMANTE. ACÓRDÃO REGIONAL PUBLICADO NA REGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017 – PROMOÇÃO POR MERECIMENTO. ÔNUS DA PROVA. RECURSO QUE NÃO ATACA OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. SÚMULA 422, I, DO TST. TRANSCENDÊNCIA NÃO RECONHECIDA. Não se conhece do agravo de instrumento, quanto ao tema em epígrafe, em razão da inobservância do princípio da dialeticidade, quando as alegações da parte não impugnam objetivamente os fundamentos da decisão monocrática agravada, nos termos em que foi proposta. Agravo de instrumento de que não se conhece. NULIDADE PROCESSUAL POR NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. TRANSCENDÊNCIA NÃO RECONHECIDA. Não houve falta de fundamentação no julgado, tampouco negativa de prestação jurisdicional. A Corte de origem examinou as questões que lhe foram submetidas à apreciação, embora tenha concluído em desacordo com a tese da parte reclamante. Na verdade, a insurgência é contra o posicionamento adotado pelos julgadores no exame da matéria controvertida. Agravo de instrumento de que se conhece e a que se nega provimento. II - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELO RECLAMADO. ACÓRDÃO REGIONAL PUBLICADO NA REGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017 – BANCO DE HORAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO EM NORMA COLETIVA. TRANSCENDÊNCIA NÃO RECONHECIDA. O Tribunal Regional, soberano no exame fático-probatório, registrou que " as Normas Coletivas dos Bancários não autorizam a adoção do sistema de compensação referido, de modo que o Banco de Horas é, formalmente, inválido. Além disso, os Demonstrativos de Pagamento indicam que havia o pagamento habitual de horas extraordinárias durante o Contrato de Trabalho (fls. 1117, 1120, 1126, 1128 e 1130, por exemplo), o que revela que o regime era, também, materialmente, descumprido ". Tratando-se de labor em regime de banco de horas, inaplicável os termos da Súmula 85, III, do TST. Tendo em vista que o banco de horas foi adotado pelo reclamado em desacordo com os parâmetros definidos no § 2º do artigo 59 da CLT, não subsiste a alegação de ofensa ao referido dispositivo legal. Divergência jurisprudencial não caracterizada, pois inespecíficos os arestos indicados como paradigmas. Inteligência da Súmula nº 296, item I, do TST. Agravo de instrumento de que se conhece e a que se nega provimento. III - RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELO RECLAMADO. ACÓRDÃO REGIONAL PUBLICADO NA REGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017 – ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA. No julgamento das Ações Declaratórias de Constitucionalidade nº 58 e 59 e Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 5867 e 6021 o STF firmou a tese de que, para a atualização dos débitos trabalhistas, deverão ser observados os índices de correção monetária e de juros vigentes para as condenações cíveis em geral, quais sejam, o Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E) na fase pré-judicial, acrescido dos juros legais previstos no art. 39, caput , da Lei nº 8.177/1991 e, a partir do ajuizamento da ação, a taxa SELIC. Cumpre consignar que a lei 14.905/24 alterou a Lei nº 10.406/02 (Código Civil), para dispor sobre critérios de atualização monetária e juros de mora. Sendo assim, determina-se a aplicação do IPCA-E na fase pré-judicial, acrescido dos juros legais previstos no caput do art. 39 da Lei nº 8.177/1991; a partir do ajuizamento da ação, até 29/8/2024, a incidência da taxa SELIC (que engloba juros de mora e correção monetária); a partir de 30/8/2024 no cálculo da atualização monetária será utilizado o IPCA (art. 389, parágrafo único do Código Civil), sendo que a partir desta data, os juros de mora corresponderão ao resultado da subtração SELIC menos IPCA (art. 406, parágrafo único do Código Civil), com a possibilidade de não incidência (taxa zero), nos termos do § 3º do art. 406 do Código Civil, observando-se a validade dos valores eventualmente já pagos, independentemente do índice aplicado. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá parcial provimento.

Decisão

Acordam os Ministros por unanimidade, I - não conhecer do agravo de instrumento do reclamante quanto ao tema "PROMOÇÃO POR MERECIMENTO. ÔNUS DA PROVA"; II - negar provimento ao agravo de instrumento do reclamante quanto ao tema "NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL"; III - julgar prejudicado o exame do tema "JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA"; IV - negar provimento ao agravo de instrumento do reclamado quanto ao tema "BANCO DE HORAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO EM NORMA COLETIVA"; e, V - conhecer do recurso de revista do reclamado quanto ao tema "ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA" e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para determinar a aplicação do IPCA-E na fase pré-judicial, acrescido dos juros legais previstos no caput do art. 39 da Lei nº 8.177/1991; a partir do ajuizamento da ação, até 29/8/2024, a incidência da taxa SELIC (que engloba juros de mora e correção monetária); a partir de 30/8/2024 no cálculo da atualização monetária será utilizado o IPCA (art. 389, parágrafo único do Código Civil), sendo que a partir desta data, os juros de mora corresponderão ao resultado da subtração SELIC menos IPCA (art. 406, parágrafo único do Código Civil), com a possibilidade de não incidência (taxa zero), nos termos do § 3º do art. 406 do Código Civil, observando-se a validade dos valores eventualmente já pagos, independentemente do índice aplicado. Fica mantido o valor da condenação, para fins processuais.

Indexação

Correção Monetária; Plano de Cargos e Salários; Promoção; Negativa de Prestação Jurisdicional; Banco de Horas

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