TSTAIRR 0000025-81.2024.5.07.0024
Diferenças de adicional por tempo de serviço (ats)
Relator(a): MAURICIO GODINHO DELGADO
- Direito do Trabalho
- Diferenças de adicional por tempo de serviço (ats)
- Inclusão das parcelas função gratificada e quebra de caixa
- Previsão em norma regulamentar
- Conceito de salário padrão e complemento salário padrão
- Interpretação restritiva
- Mn rh 115
Ementa
AGRAVO DE INSTRUMENTO DO RECLAMANTE. RECURSO DE REVISTA. PROCESSO SOB A ÉGIDE DA LEI 13.467/2017. DIFERENÇAS DE ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO (ATS). INCLUSÃO DAS PARCELAS FUNÇÃO GRATIFICADA E QUEBRA DE CAIXA. PREVISÃO EM NORMA REGULAMENTAR. CONCEITO DE SALÁRIO PADRÃO E COMPLEMENTO SALÁRIO PADRÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. ARTIGO 114 DO CÓDIGO CIVIL. TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA RECONHECIDA. 1. Cinge-se a controvérsia às parcelas que compõem a base de cálculo do adicional por tempo de serviço (ATS) definida pela Caixa Econômica Federal por meio da norma interna RH 115. A matéria objeto em exame envolve questão nova em torno de interpretação da legislação trabalhista, estando inclusive afetada pelo Tribunal Pleno desta Corte (Tema 36 da Tabela de IRR), sem determinação de suspensão dos processos, razão pela qual reputo caracterizada a transcendência jurídica da causa. 2. A jurisprudência desta Corte Superior, analisando a norma interna da Reclamada, firmou entendimento de que as parcelas “Função Gratificada”, “CTVA”, “Porte de Unidade” e “Adicional de Incorporação”, previstas no regulamento da empresa possuem natureza jurídica salarial (art. 457, § 1º, da CLT), razão pela qual devem ser incorporadas à remuneração do empregado, inclusive, para fins do cálculo do Adicional por Tempo de Serviço – ATS. Ocorre que o entendimento firmado por esta Corte Superior, no âmbito da SBDI-1/TST – vinculado ao quadro fático delineado no acórdão regional (Súmulas 126 e 297/TST) –, não teve como base a transcrição integral dos dispositivos contidos na norma interna da Reclamada (MN RH 115), que estabelecem a base de cálculo do ATS, bem como definem as rubricas “salário-padrão” e “complemento de salário-padrão”, que entre outras compõem a remuneração-base dos empregados da Reclamada. Assim, considerando que esta Corte Superior se encontra jungida ao cenário fático delineado no acórdão regional, e, não existindo neste informações que permitam aferir, de forma indubitável, a definição das rubricas que compõem a base de cálculo do ATS estabelecida pela norma interna da Reclamada, e considerando a natureza salarial das parcelas – “Função Gratificada”, “CTVA”, “Porte de Unidade”, “Adicional de Incorporação”, bem como outros adicionais de natureza salarial – nos termos do art. 457, § 1º, da CLT –, impõe-se a conclusão, na esteira do entendimento jurisprudencial firmado nesta Corte Superior, que o valor de tais parcelas deve ser incorporado à remuneração do empregado, inclusive, para fins do cálculo de adicional tempo de serviço e de outras vantagens pessoais. Contudo, as circunstâncias fáticas retratadas no caso dos autos autorizam o distinguishing em relação à jurisprudência firmada nesta Corte Superior. Na presente hipótese, constou no acórdão regional a transcrição dos itens da norma interna da Reclamada - MN RH 115 – que estabelece que a base de cálculo do adicional por tempo de serviço (ATS) “corresponde a 1% do somatório do salário-padrão e do complemento do salário-padrão”. Sendo que o salário-padrão equivale ao “valor fixado em tabela salarial, correspondente a cada nível dos cargos constantes dos Planos de Cargos, Salários, Benefícios e Vantagens” e que o complemento de salário-padrão “corresponde ao valor da Gratificação do CC do maior nível hierárquico exercido na CAIXA pago a ex-Dirigente empregado, nomeado até 10.09.2002, conforme RH080.” Inconteste, portanto, no presente caso, que a base de cálculo do ATS é composta estritamente pelo salário padrão (salário base previsto em tabela salarial) e pela complementação do salário padrão (gratificação paga exclusivamente a ex-Dirigente da CEF). Assim, tratando-se o Adicional por Tempo de Serviço (ATS) de benefício criado por mera liberalidade do empregador, tal benesse contratual deve ser interpretada restritivamente (art. 114 do Código Civil). Frise-se que não se trata de afastar a natureza salarial das parcelas função gratificada, CTVA, PORTE, APPA, adicional de incorporação, dentre outras, bem como efeito expansionista circular dos salários (art. 457, § 1º, da CLT), mas sim, de observar à norma interna da Reclamada que, ao instituir o benefício “Adicional por Tempo de Serviço”, verba não prevista em lei, estabeleceu como parcelas componentes de sua base de cálculo, as seguintes rubricas distintivas e autônomas: salário padrão e complemento do salário padrão, que como visto, não englobam em seu conteúdo outras parcelas de natureza salarial, tampouco com elas se confunde. Destarte, diante do quadro fático explicitado no acórdão regional, não cabe, nos termos do art. 114 do Código Civil, a interpretação ampliativa da norma interna da Reclamada, para acrescer à base de cálculo do Adicional Por Tempo de Serviço – ATS, outras parcelas de natureza salarial. Julgados desta Corte Superior. Agravo de instrumento desprovido.
Decisão
Acordam os Ministros à unanimidade, negar provimento ao agravo de instrumento. Brasília, 18 de março de 2026.. Mauricio Godinho Delgado Ministro Relator