TSTAIRR 0100601-68.2020.5.01.0031
Inexigibilidade do título: coisa julgada
Relator(a): ALEXANDRE LUIZ RAMOS
- Processo Civil
- Direito do Trabalho
- Inexigibilidade do título
- Coisa julgada
- Óbice do art. 896, § 2º, da CLT
Ementa
AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA RECLAMADA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO. PROCESSO EM FASE DE EXECUÇÃO DE SENTENÇA. ACÓRDÃO REGIONAL PUBLICADO NA VIGÊNCIA DAS LEIS Nº 13.467/2017. 1. INEXIGIBILIDADE DO TÍTULO. COISA JULGADA. ÓBICE DO ART. 896, § 2º, DA CLT. CONHECIMENTO E NÃO PROVIMENTO. I. Este Tribunal Superior, após o advento do artigo 884, § 5º, da CLT, firmou jurisprudência no sentido de reconhecer a possibilidade de relativização da coisa julgada, desde que não se trate de decisões transitadas em julgado anteriormente à vigência da Medida Provisória nº 2.180-35 de 2001. Assim, transitada em julgado a decisão que se reputa fundada em lei ou ato normativo tidos por inconstitucionais pelo STF antes do advento da aludida espécie normativa, como no presente caso, impõe-se rejeitar a pretensão recursal. Ademais, a jurisprudência do TST é no sentido de que a ofensa à coisa julgada somente é passível de ser reconhecida caso haja inequívoca dissonância entre a decisão exequenda e a decisão proferida em sede de execução, o que não se constata no caso dos autos, sobretudo porque a coisa julgada material formada na fase de conhecimento permanece incólume, razão pela qual não há que se falar em violação do art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal. Considerando que a coisa julgada constitui garantia constitucional, há de ser respeitado o trânsito em julgado da decisão, sendo vedado aos juízes e tribunais conhecerem de questões já decididas, a cujo respeito já operou a preclusão. Assim, não se verifica a alegada violação de dispositivos constitucionais apontada, inviabilizando o conhecimento do apelo. II. Agravo de instrumento a que se nega provimento. 2. DA LIMITAÇÃO À DATA BASE / EXCESSO À EXECUÇÃO / LIMITAÇÃO TEMPORAL / DIFERENÇAS SALARIAIS E DATA-BASE. ÓBICE DO ART. 896, § 2º, DA CLT. CONHECIMENTO E NÃO PROVIMENTO. I. A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho é no sentido de que a ofensa à coisa julgada somente é passível de ser reconhecida caso haja inequívoca dissonância entre a decisão exequenda e a decisão proferida em sede de execução, o que não se constata no caso dos autos, pois, do próprio trecho transcrito consta que na hipótese em tela a coisa julgada determinou o pagamento dos reajustes a partir de junho de 1987 até a vigência da Lei nº 8.112/1990 e que não cabe a rediscussão dos parâmetros de cálculo em sede cumprimento de sentença, sob pena de ofensa à coisa julgada. Sob esse prisma, não há violação do art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal, inviabilizando o conhecimento do apelo. II. Agravo de instrumento a que se nega provimento.
Decisão
Acordam os Ministros à unanimidade, conhecer do agravo de instrumento e, no mérito, negar-lhe provimento, considerando ausente a transcendência da causa. Brasília, 23 de junho de 2025. ALEXANDRE LUIZ RAMOS Ministro Relator