STJAgRg no AREsp 2.959.093
Crime contra o sistema financeiro nacional (art. 19 da lei n. 7.492/1986)
Relator(a): Sebastião Reis Júnior
- Direito Penal
- Dosimetria
- Pena-base
- Culpabilidade
- Valoração negativa
- Fundamentação idônea
- Condição profissional do agente não inerente ao tipo penal
Ementa
AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENAL. CRIME CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL (ART. 19 DA LEI N. 7.492/1986). DOSIMETRIA. PENA-BASE. CULPABILIDADE. VALORAÇÃO NEGATIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. CONDIÇÃO PROFISSIONAL DO AGENTE NÃO INERENTE AO TIPO PENAL. MAIOR REPROVABILIDADE DA CONDUTA. BIS IN IDEM NÃO CONFIGURADO. SÚMULA 7/STJ. REGIME PRISIONAL E SUBSTITUIÇÃO DA PENA. EXISTÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL DESFAVORÁVEL. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE.
1. A especial qualificação técnica do agente, que se valeu da condição de engenheiro credenciado perante a instituição financeira para viabilizar a fraude, denota um grau de reprovabilidade mais elevado da conduta, justificando a exasperação da pena-base pela culpabilidade, sem que se configure bis in idem, pois tal condição não é elemento inerente ao tipo penal do art. 19 da Lei n. 7.492/1986.
2. A análise da tese de que a condição de engenheiro seria intrínseca ao modus operandi a ponto de afastar a valoração negativa da culpabilidade demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório, providência vedada pela Súmula 7/STJ.
3. A existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis, notadamente a culpabilidade, justifica a negativa de substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos, nos termos do art. 44, III, do Código Penal.
4. Agravo regimental improvido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 13/11/2025 a 19/11/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Rogerio Schietti Cruz, Antonio Saldanha Palheiro, Carlos Pires Brandão e Og Fernandes votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.